No cenário internacional de 2025, as ações do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, marcaram uma reconfiguração do poder global, evidenciada pelas tarifas e pelas negociações bilaterais que substituíram alianças tradicionais. A visita do primeiro-ministro indiano Narendra Modi à China, após cinco anos de tensões, destacou o potencial de uma nova ordem geopolítica, enquanto Washington intensificava sua postura de barganha rápida e oportunista.
O impacto das tarifas na diplomacia mundial
Desde o início da implementação de tarifas de 25% sobre produtos importados, Trump provocou uma mudança no comportamento dos países, que passaram a optar por estratégias de diversificação de cadeias de produção, busca por novos mercados de exportação e maior ênfase na autossuficiência. Segundo analistas, o mundo se tornou mais fluido, com relações pautadas na troca de favores comerciais e não no fortalecimento de instituições globais.
Reconfiguração econômica e militar
Países têm criado mecanismos de resistência, como arranjos de swap de moedas e criação de alternativas ao sistema financeiro tradicional, para reduzir sua vulnerabilidade às disputas entre EUA e China. Essa nova dinâmica reflete uma tentativa de gerenciar crises em um cenário onde o papel das organizações internacionais diminui e os interesses nacionais prevalecem.
Continuidade na hierarquia global
Apesar das aparências de ruptura, a essência do sistema internacional permanece, pautada por duas forças principais. Uma delas é a limitação dos próprios Estados, doméstica e política, que impede mudanças radicais na estratégia de poder. A outra é a forte influência das estruturas de segurança existentes, que ainda ligam os países à hegemonia americana, muito mais do que a qualquer alternativa emergente.
Desgaste do liberalismo econômico
O ideal de uma ordem econômica liberal, baseada na partilha de ganhos e na criação de instituições fortes, vinha se desfazendo desde os anos 1990. O fenômeno do “Choque da China”, popularizado pelos economistas Autor, Dorn e Hanson, revelou que a perda de empregos na indústria tradicional resultou, sobretudo, das trocas comerciais com o país asiático, alimentando o crescimento do discurso protecionista.
Perspectivas futuras
O avanço das tarifas, o redesenho dos mercados e a resistência às forças de globalização indicam que o sistema internacional de então passa por um momento de transição, marcado pelo enfraquecimento dos modelos tradicionais de cooperação e pela ascensão de negociações mais diretas e confrontos comerciais. A continuidade da dependência da vasta infraestrutura de segurança dos EUA reforça a ideia de que, sob o pano de fundo de crises, mantém-se uma hierarquia global imutável.


