A Polícia Federal, em parceria com o Ministério Público Federal (MPF), iniciou investigações sobre operações suspeitas no Banco Master e na gestora de recursos Reag. De acordo com documentos, o banco concedia empréstimos a empresas que não honravam as parcelas, gerando receitas apenas no papel, enquanto o dinheiro era rapidamente transferido para fundos administrados pela Reag. Esses fundos simulavam rentabilidade irreal, e o dinheiro retornava ao banco por meio de aplicações financeiras, configurando possíveis fraudes e lavagem de dinheiro.
Suspeitas de gestão fraudulenta e manipulação de mercado
Segundo o inquérito, os prazos de carência para pagamento eram prorrogados às vésperas das datas de quitação, sem que houvesse pagamento de juros ou amortizações de fato. A Polícia Federal também identificou que os ativos dos fundos envolvidos, especialmente os do Fundo Gold Style, não tinham liquidez suficiente para suportar resgates, contrariando as normas de gestão de risco de crédito, o que caracteriza uma gestão fraudulenta, conforme o BC.
Operações estruturadas e rentabilidade extraordinária
Documentos do Banco Central apontam que as operações entre o Banco Master e a Reag envolviam reavaliações indevidas de ativos, permitindo aos fundos obter rentabilidade fora dos padrões do mercado, chegando a mais de 10 milhões por cento em 2024. Um exemplo é o empréstimo de R$ 459 milhões feito pela instituição de Vorcaro para a Brain Realty, cujo dinheiro foi rapidamente transferido através de fundos ligados à Reag, numa cadeia de operações que causou prejuízos ao mercado.
Transferências relâmpago e reavaliações de ativos
Após receber os recursos, o fundo Brain Cash foi utilizado para adquirir papéis de baixa liquidez, que foram reavaliados a valores altíssimos. Em poucos minutos, esse dinheiro foi transferido para outros fundos, como o D Mais e o FIDC High Tower, que reavaliaram ativos do extinto Banco do Estado de Santa Catarina (Besc) e registraram rentabilidades astronômicas.
Ações e respostas das empresas envolvidas
O advogado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afirmou que as alegações não refletem a realidade. Segundo ele, o banco passava por auditorias independentes e fiscalização contínua. Já a Reag alegou que os ativos de seus fundos são considerados de baixo valor, mas não apresentou garantias de liquidez suficientes para suportar resgates, o que levantou suspeitas do BC sobre gerenciamento de risco.
Suspeitas de lavagem de dinheiro e conexões criminosas
A Polícia Federal suspeita que recursos circularem por estruturas administradas pela Reag tenham retornado ao Banco Master por meio de emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs), principal captação do banco. Diante disso, uma operação foi deflagrada nesta semana, com buscas e apreensões ligadas ao empresário Daniel Vorcaro e João Carlos Mansur, fundador da Reag.
Além disso, fundos administrados pela Reag, como Hans 95, Reag Growth e Anna FIC, também estão na lista de investigados na Operação Carbono Oculto, além de estarem ligados às atividades ilícitas de lavagem de dinheiro relacionadas ao esquema do PCC, revela o MPF.
A gestão da Reag nega irregularidades e afirma colaborar com as investigações, destacando que “não há qualquer documento oficial, denúncia ou relatório das autoridades que comprove irregularidades”. As apurações continuam em andamento, e o caso revela uma complexa rede de fraudes financeiras com múltiplos níveis de reavaliação de ativos e circulação de recursos ilegais.
Para conferir detalhes completos, acesse o informe do MPF.

