A caminhada de Reinaldo, um ex-atacante que brilhou em clubes como Flamengo, Botafogo, São Paulo e PSG, continua, mas agora sob uma nova perspectiva: a de treinador. Com duas décadas de experiência em campo e agora no seu sexto ano como técnico profissional, Reinaldo lidera o Maricá e está fazendo sua quarta temporada no clube. O desafio se intensifica com a estreia do time no Campeonato Carioca, na partida contra o Vasco, marcada para hoje às 21h30, em São Januário. Em uma entrevista exclusiva ao GLOBO, Reinaldo compartilhou suas motivações, anseios, e discussões importantes sobre raça no futebol.
As inspirações de um ex-jogador
Ao ser questionado sobre o que o motivou a seguir a carreira de treinador após sua trajetória em 20 diferentes clubes ao redor do mundo, Reinaldo não hesitou. “Eu queria continuar no campo. É uma coisa que amo fazer”, afirmou. Ele destaca a importância dos treinadores que encontrou ao longo do caminho, como Zagallo, Luxemburgo e Zico, que moldaram sua visão sobre o jogo. “Minha maior referência é o Zagallo. Ele sabia gerir crises e tinha uma comunicação tática fluida com seus jogadores.”
Transição desafiadora
A transição de jogador para técnico não foi simples. O ex-jogador relembra os desafios enfrentados nos primeiros passos como treinador nas categorias de base do Bangu. “A organização foi um dos principais obstáculos”, revelou. Para superá-los, Reinaldo investiu em cursos de capacitação e aprendizado com colegas de profissão. Agora, ele prepara sua equipe com meticulosidade, promovendo reuniões e organizando treinos com duas horas de antecedência.
Celebrações e ambições
Em sua nova função, Reinaldo sente uma alegria renovada ao conquistar títulos. “É muito mais prazeroso ganhar como treinador. Os títulos que conquistei no Maricá, como a Copa Santos Dumont e a Copa Rio, representam momentos únicos na minha vida”, contou. Essas vitórias sinalizam não apenas o sucesso do clube, mas também a oportunidade proporcionada a seus jogadores de realizarem sonhos e ajudarem suas famílias.
Objetivo: chegar à elite
Reinaldo expressou seu desejo de um dia voltar a clubes da elite, como o Flamengo, mas ressaltou a importância de dar um passo de cada vez. “Estou no Maricá por mais um ano e quero dar o meu melhor aqui, no campeonato, nos treinos e em cada jogo”, afirmou. Ele está confiante de que, trabalhando com dedicação, irá abrir novas portas no futuro.
A representatividade no futebol
Em um panorama onde apenas um número reduzido de treinadores negros atua na elite do futebol carioca, Reinaldo reflete sobre sua responsabilidade. “Carrego uma nação nas costas quando piso em campo”, disse. Ele acredita firmemente que a diversidade e a inclusão são essenciais para o crescimento do esporte, tanto no futebol masculino quanto feminino e em outras áreas.
Enfrentando um gigante
Sobre o reencontro com o Vasco, seu antigo rival, Reinaldo não escondeu a emoção. “É um prazer enorme estrear contra um gigante do futebol brasileiro. Cada jogo sinto como uma final”, declarou, reconhecendo a pressão e a intensidade que a rivalidade proporciona.
Opiniões e aprendizados com colegas
Reinaldo também relatou sua experiência durante um estágio com Fernando Diniz, ressaltando a importância da comunicação e da confiança entre treinador e atletas. “O jogador precisa confiar e entender o que está sendo passado. É fundamental para o seu desempenho”, explicou.
Por fim, ele comentou sobre a necessidade de equilibrar a chegada de treinadores estrangeiros no Brasil, valorizando simultaneamente o potencial dos profissionais locais. “Temos grandes treinadores brasileiros capacitados e devemos encontrar um equilíbrio”, defendeu.
Com a estreia no Campeonato Carioca se aproximando, Reinaldo está pronto para defender as cores do Maricá, sempre buscando evolução e colocando seu time em busca de novos horizontes.
Acompanhe a trajetória de Reinaldo, um exemplo de resiliência e ambição no futebol brasileiro, que continua a inspirar as novas gerações.


