A recente decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, de autorizar uma nova operação policial na investigação do caso Master, revela um profundo mal-estar entre o magistrado e a Polícia Federal (PF). Esta situação tensa não é uma novidade, dado o histórico de conflitos entre as instituições envolvidas.
Críticas de Toffoli à PF
Em uma decisão confidencial, à qual o blog da colunista Malu Gaspar teve acesso, Toffoli expressou sua insatisfação com a “inércia” e a “falta de empenho” da PF. Essa crítica não apenas acirrou os ânimos, mas também desencadeou uma crise institucional, refletindo uma preocupação maior com a eficácia das investigações em torno da liquidação do Banco Master pelo Banco Central (BC). O bilionário banqueiro Daniel Vorcaro, dono da instituição, está no centro dessas investigações, envolvendo uma vasta rede de conexões em Brasília.
As consequências dessas críticas foram visíveis quando Toffoli convocou o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, para uma acareação que envolvia todos os principais protagonistas do caso, um movimento que não agradou a muitos no BC.
As ondas de tensão e os desafios da investigação
A insatisfação entre as instituições vai além da PF e STF; o BC também se sentiu desconfortável com a situação. Em uma tentativa de apagar o incêndio, um encontro recente entre o presidente do TCU, Vital do Rêgo, e o diretor do BC, Gabriel Galípolo, buscou assegurar que as comunicações entre as entidades permaneçam respeitosas e produtivas, mesmo em meio à pressão que o TCU exerce sobre a liquidação do Master.
A Operação Compliance Zero
O atual foco das investigações se baseia na Operação Compliance Zero, onde o STF determinou o acautelamento de materiais apreendidos com o objetivo de preservar as provas. No entanto, essa decisão de manter os materiais lacrados nas dependências do STF foi vista como um potencial risco à continuidade da investigação, já que impedir a PF de analisar rapidamente os dados poderia comprometer a coleta de informações cruciais.
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Entretanto, em uma resposta ao STF, Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, explicou que as circunstâncias operacionais exigiram tempo adicional para a atualização de endereços dos alvos da operação, justificando assim o atraso. A operação resultou em altas quantias apreendidas, incluindo dinheiro, armamentos e equipamentos eletrônicos.
O jantar que acalmou os ânimos
No meio da turbulência, um encontro cordial entre Galípolo e Andrei Rodrigues pareceu trazer uma pequena pausa de alívio. Em meio ao caos institucional, ambos posaram para uma foto sorridente, simbolizando uma tentativa de restabelecer a cooperação entre as instituições.
Porém, a situação permanece volátil. Toffoli alerta que a inércia da PF poderia levar a prejuízos irreparáveis às investigações, enquanto o BC assegura que agiu de acordo com os protocolos legais e as melhores práticas de mercado, evitando futuros problemas legais relacionados ao processo de liquidação do Master.
Portanto, enquanto as instituições tentam acertar seus caminhos, a luta pelo esclarecimento de um case tão complexo continua com a supervisão intensa do STF, a atuação vigilante da PF e o papel crítico do BC no cenário econômico brasileiro.
As próximas semanas serão decisivas para a elucidação deste imbróglio que não só afeta os envolvidos diretamente, como também impacta a confiança pública nas instituições financeiras do Brasil.



