Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Rússia, Vladimir Putin, mantiveram uma conversa telefônica nesta quarta-feira (14) focada na crescente tensão na Venezuela, que se intensificou após um ataque militar dos Estados Unidos e o sequestro do presidente Nicolás Maduro. A comunicação foi confirmada tanto pelo Kremlin quanto pelo Itamaraty, destacando a importância da soberania e dos interesses da nação venezuelana.
Discussão sobre a crise venezuelana
De acordo com uma nota divulgada pelo Kremlin, Lula e Putin trocaram opiniões sobre vários assuntos internacionais, com ênfase na situação delicada da Venezuela. A comunicação reafirmou a intenção dos dois líderes de coordenar esforços para reduzir a tensão não apenas na América Latina, mas também em outras partes do mundo. “Os presidentes enfatizaram as abordagens fundamentais compartilhadas pela Rússia e pelo Brasil em relação à garantia da soberania estatal e dos interesses nacionais da República Bolivariana”, diz o comunicado enviado pela presidência russa.
Compromisso com a segurança na América Latina
Ainda segundo informações de Moscou, ambos os líderes mostraram-se comprometidos em buscar formas para amenizar a situação na região, inclusive utilizando plataformas multilaterais como a Organização das Nações Unidas (ONU) e o BRICS. O Kremlin também adicionou que a conversa abordou o desenvolvimento da cooperação bilateral em diversas áreas, preparando o terreno para a próxima reunião da Comissão de Alto Nível Rússia-Brasil, prevista para fevereiro deste ano.
Críticas às medidas dos EUA
Uma das partes mais contundentes da conversa entre os presidentes foi a crítica ao ataque militar dos Estados Unidos na Venezuela e o sequestro de Maduro. Ambos os líderes concordaram que essas ações constituem uma grave violação do direito internacional. A Rússia, logo após os eventos, já havia emitido uma nota condenando o “ato de agressão armada” contra a Venezuela, ressaltando a necessidade de preservar a soberania do país.
Posição do Brasil em relação aos EUA
Da mesma forma, Lula expressou sua desaprovação ao sequestro de Maduro, caracterizando a intervenção dos Estados Unidos como uma ação que ultrapassa os limites do aceitável. Em uma declaração anterior, o presidente brasileiro afirmou: “Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”. Ele alertou que tais agressões podem desencadear um cenário caótico e instável, onde a força prevalece sobre os princípios do multilateralismo.
A importância da diplomacia
A conversa entre Lula e Putin ilustra um momento representativo da diplomacia brasileira na atualidade, onde a questão da soberania e da cooperação internacional se tornaram tópicos centrais. A postura dos dois líderes sugere não apenas a intenção de apoiar a Venezuela, mas também de chamar a atenção para a importância do diálogo e da resolução pacífica de conflitos. O Brasil, sob a liderança de Lula, parece ter um papel ativo em buscar soluções que respeitem as nações envolvidas e promovam a estabilidade na região.
Essa conversa também ressalta o fortalecimento dos laços entre Brasil e Rússia, que têm trabalhado juntos em várias frentes nos últimos anos, desde questões ambientais até colaboração econômica. A próxima reunião da Comissão de Alto Nível Rússia-Brasil será uma oportunidade essencial para aprofundar essas relações, refletindo uma possível nova era de alianças estratégicas no cenário internacional.
Em resumo, a ligação entre Lula e Putin não só trouxe à tona a crise atual na Venezuela, mas também destacou a necessidade urgente de ações diplomáticas eficazes e coordenadas para proteger a soberania dos países e assegurar que agressões como as dos Estados Unidos não se tornem um novo padrão na política internacional.
Siga acompanhando os desdobramentos dessa conversa e outras iniciativas diplomáticas entre Brasil e Rússia, que podem ter impactos significativos na política da América Latina e além.



