Brasil, 14 de janeiro de 2026
BroadCast DO POVO. Serviço de notícias para veículos de comunicação com disponibilzação de conteúdo.
Publicidade
Publicidade

CBF lança programa de modernização da gestão esportiva

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) deu um passo importante em direção à modernização da gestão de clubes ao anunciar, para 2026, um programa que convida equipes das Séries A e B a estudar modelos organizacionais e financeiros de três ligas de destaque mundial: Premier League, La Liga e Bundesliga. A comitiva que representa clubes brasileiros já se encontra na Europa para iniciar esse intercâmbio, um primeiro passo para transformar a administração do futebol em território nacional.

O foco na sustentabilidade econômica

Este movimento ocorre em paralelo à implementação do Fair Play Financeiro no Brasil, reforçando o compromisso da CBF com uma gestão mais sustentável e responsável no futebol. Este princípio, que já é uma realidade nas ligas mais respeitadas do mundo, busca promover a responsabilidade fiscal e o controle de gastos entre os clubes, questões críticas para garantir a longevidade e a competitividade.

O Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF) surge com o objetivo de sanar problemas históricos do futebol brasileiro, como o elevado endividamento e a dependência de receitas extraordinárias. De acordo com o presidente do Santos, Marcelo Teixeira, a participação nesse intercâmbio é uma oportunidade crucial. Ele afirma: “Fazer parte dessa comitiva é uma oportunidade fundamental para trocar experiências e entender, na prática, como ligas consolidadas lidam com temas estruturais como governança, arbitragem e responsabilidade financeira.”

A participação dos clubes

A comitiva também conta com a presença do Juventude, representado pelo 1º vice-presidente Paulo Stumpf, que ressaltou a importância da imersão. Stumpf acredita que esse intercâmbio é uma chance para aprender com modelos que equilibram a excelência técnica e a sustentabilidade financeira, afirmando que a participação do clube no evento trará ganhos significativos.

O presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch, expressou grande entusiasmo pela iniciativa da CBF, comentando que “conhecer as maiores ligas do mundo e como elas funcionam é um movimento que vários segmentos empresariais fazem e que precisava ser feito no futebol brasileiro.”

Análise das práticas internacionais

Para especialistas em finanças do esporte, incluindo Moises Assayag, sócio-diretor da Channel Associados, essa iniciativa aponta para um avanço estrutural significativo. Ele argumenta que a proximidade com modelos europeus de governança e sustentabilidade financeira é essencial para a capacitação dos dirigentes brasileiros, promovendo uma gestão mais profissional.

Assayag ainda observa que o Fair Play Financeiro deve ser visto como um instrumento de organização, não punitivo, e frisou que é fundamental que os clubes compreendam os limites estabelecidos de acordo com suas realidades financeiras. A advogada Talita Garcez corrobora essa visão, afirmando que o modelo pode transformar a gestão do futebol brasileiro ao exigir transparência e planejamento.

A prudência na implementação das novas regras

Entretanto, nem todos compartilham da mesma euforia. O advogado Cristiano Caús, especializado em direito esportivo, adverte que a implementação do Fair Play Financeiro deve considerar a maturidade econômica dos clubes. Segundo ele, medidas rígidas podem precipitar a insolvência, especialmente em instituições já vulneráveis, por isso uma fase de transição é crucial.

Ao unir benchmarking internacional e regulação doméstica, o esforço da CBF busca fortalecer a base financeira do futebol brasileiro. Com um sistema bem estruturado, o Fair Play Financeiro pode ser um divisor de águas, promovendo uma gestão mais transparente e competitiva, capaz de atrair mais investimento e credibilidade no cenário global.

Ao final, será curioso observar como os clubes brasileiros irão se adaptar a essas novas diretrizes. O futuro do futebol nacional depende dessas mudanças e da capacidade dos dirigentes em implementar um modelo de gestão que não só reformule as contas, mas que também traga melhorias na governança e sustentabilidade a longo prazo.

Link da fonte

PUBLICIDADE

Institucional

Anunciantes