Na última quinta-feira (8/1), a Polícia Civil do Espírito Santo prendeu um professor de 46 anos sob a suspeita de cometer crimes graves, incluindo estupro de vulnerável, assédio sexual e exploração sexual de crianças e adolescentes. O caso, que gerou grande repercussão, envolve práticas ilícitas que ocorriam em escolas da Serra e de Vila Velha, na Grande Vitória.
Manifestações de abuso e exploração
De acordo com a investigação, o professor oferecia melhorias nas notas e até valores em dinheiro em troca de favores sexuais e imagens pornográficas de seus estudantes, a maioria deles com idades entre 10 e 16 anos e com baixo desempenho escolar. A atuação dele, que aproveitava sua posição de autoridade na rede pública, era particularmente nociva, já que utilizava de sua influência e confiança para aliciar os alunos.
Durante o ano de 2023, o suspeito abordava os jovens durante os intervalos escolares e, após deixar a escola, passou a assediá-los por meio das redes sociais, oferecendo dinheiro e objetos de desejo. Isso gerou uma preocupação ainda maior entre os pais e a comunidade escolar.
“Encontramos diversos Pix feitos para essas vítimas, com valores entre R$ 30 e R$ 50. Para outras, ele também ofereceu objetos como uma prancha de surfe”, afirmou o delegado Glalber Queiroz.
Denúncias revelam o caso
A primeira denúncia sobre os atos do professor foi registrada em 19 de novembro de 2024, quando uma estudante revelou a sua mãe que estava mantendo conversas inapropriadas com ele. A mãe imediatamente buscou a escola para fazer a denúncia, alertando as autoridades sobre o que estava acontecendo.
As investigações subsequentes revelaram a gravidade das ações do professor. Em sua posse, foram encontrados arquivos organizados com nomes de escolas e pastas que continham imagens íntimas de suas vítimas. Um dos pontos mais preocupantes dos relatos foi a confirmação de que ele frequentava sites de exploração sexual infantil, apontando um padrão perigoso de comportamento. A delegada Thais Cruz, da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), acrescentou que as denúncias incluíam adolescentes que também se sentiram atraídos por promessas de atenção ou benefícios escolares.
Ameaças e medo entre os alunos
Um jovem de 12 anos, particularmente, relatou sofrer ameaças do professor após ser pego mexendo no celular durante a aula. O educador insinuou que, para não ser denunciado, o aluno deveria acessar sites pornográficos sugeridos por ele, além de ter feito toques indevidos em sua coxa e nádegas. A mãe do garoto percebeu uma mudança no comportamento dele e, ao investigar, encontrou provas das ameaças, o que levou à formalização da denúncia.
Com base nas evidências coletadas, a Polícia Civil solicitou a prisão preventiva do professor, que, desde abril de 2025, estava foragido. Após a sua prisão, as investigações continuam, com a promessa de rigorosas medidas para que todos os possíveis envolvidos e novos casos sejam devidamente investigados.
Impacto na comunidade escolar
O caso deixou a comunidade escolar em estado de choque e gerou uma onda de discussões sobre a proteção infantil e a responsabilidade dos educadores. Pais e estudantes estão sendo orientados a ficarem atentos sinais de abuso e a utilizarem os canais disponíveis para denúncias. A preocupação se estende também para a necessidade de uma maior vigilância nas instituições de ensino, assegurando que professores estejam cientes de suas responsabilidades e dos perigos que ações impróprias podem acarretar.
Com a continuidade das investigações e a busca pela justiça em casos de exploração sexual infantil, é fundamental que toda a sociedade se una para proteger as crianças e adolescentes de situações que coloquem sua segurança em risco.
As autoridades apelam para que, caso mais vítimas sejam identificadas, que se sintam seguras para denunciar e receber o apoio necessário.
O trabalho da polícia, em conjunto com as escolas e o sistema de justiça, será crucial para restaurar a confiança da comunidade e garantir a proteção de nossas crianças.


