De acordo com relatório do BTG Pactual, os resultados financeiros do setor de varejo em 2025 demonstraram que a desaceleração observada desde meados do ano persistiu até o final do período. O banco aponta que fatores como juros altos, inflação acumulada e endividamento das famílias limitaram a recuperação do consumo no país.
Impactos das taxas de juros e inflação no consumo
O BTG explicou que “as taxas de juros elevadas continuam corroendo a renda disponível, enquanto o endividamento ainda alto das famílias limita o poder de compra”. A análise aponta ainda que a inflação colabora para reduzir a acessibilidade real a bens e serviços, especialmente em categorias discricionárias, como roupas, eletrônicos e bens de luxo.
Desempenho financeiro do setor de varejo
Segundo o banco, a receita líquida do setor deve ter aumentado cerca de 7% em 2025, enquanto o Ebitda — indicador de rentabilidade — teria avançado 8%. Ainda assim, o desempenho apresentou sinais de fadiga, com vendas abaixo da inflação em segmentos considerados mais tradicionais.
Supermercados e vestuário em crise
O relatório destaca que supermercados, apesar de serem mais resistentes por representarem consumo essencial, já apresentam crescimento de vendas abaixo do índice inflacionário. O segmento de vestuário, que teve um bom desempenho no primeiro semestre, desacelerou na segunda metade do ano, com empresas como Renner e C&A projeta números mais fracos.
Setores com investimentos e exceções à desaceleração
Por outro lado, o relatório aponta que farmácias se destacaram devido à alta na demanda por medicamentos à base de GLP-1, como o Ozempic, impulsionando o desempenho de empresas como Raia Drogasil, que projeta crescimento de 16% na receita líquida e aumento de 11% nas vendas em mesmas lojas.
Outro destaque positivo é a Smart Fit, cuja receita deve crescer 26% em 2025, apesar de uma desaceleração frente aos períodos anteriores, devido à abertura de novas unidades, principalmente em dezembro do ano passado.
Perspectivas futuras para o varejo
O BTG alerta que a combinação de juros elevados, inflação elevada e endividamento limita a retomada mais vigorosa do setor de varejo. A expectativa é de que o ambiente continue desafiador, com gastos mais seletivos e volumes de vendas mais fracos.
Para mais detalhes, acesse o relatório completo do BTG Pactual.


