O preço do dólar operou em alta nesta quarta-feira (14), influenciado por tensões entre a política monetária americana e acontecimentos no cenário interno brasileiro, como uma nova fase de investigação da Polícia Federal relacionada ao Banco Master. As oscilações refletem a atenção do mercado às decisões do Federal Reserve (Fed) e às investigações no Brasil.
Fatores que movimentam o dólar e o mercado brasileiro
Na cena internacional, dados da inflação e vendas no varejo dos EUA, além do aguardado lançamento do Livro Bege, mantêm os investidores atentos às possibilidades de novo ajuste na política de juros do Fed. Economia americana mostra sinais de forte atividade, pressionando o dólar para cima depois de semanas de queda.
No Brasil, a Polícia Federal deflagrou a segunda fase de uma operação que investiga fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. A ação tem como alvo o controlador da instituição, Daniel Vorcaro, além de familiares e outros empresários, como Nelson Tanure e João Carlos Mansur, ex-presidente da Reag Investimentos. A investigação acrescenta volatilidade ao cenário político-econômico nacional, refletindo também na cotação do dólar.
Movimentos do mercado cambial e variações recentes
O dólar acumula alta de 0,19% na semana, mas registra uma queda de 2,07% no mês e no ano, com o mercado esperando por novos sinais da política monetária americana. O Ibovespa, por sua vez, apresenta queda de 0,84% na semana, mas mantém avanço de 0,54% no mês e também no acumulado anual.
Segundo dados do Banco Central, o dólar subiu após uma tendência de recuo, refletindo a resistência no cenário global às tensões com o Fed e as incertezas políticas internas.
Impacto da possível tarifa de Trump sobre o comércio com o Irã
Enquanto isso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a aplicação de uma tarifa de 25% sobre países que façam negócios com o Irã, o que pode afetar o comércio brasileiro com o país. Em 2025, as importações do Brasil do Irã atingiram US$ 84,5 milhões, principalmente de ureia, pistache e uvas secas, enquanto as exportações somaram US$ 2,9 bilhões, destacando milho, soja e açúcar.
Embora o Irã não esteja entre os principais parceiros comerciais do Brasil, a medida de Trump cria incertezas que podem impactar as operações comerciais brasileiras com o Oriente Médio, além de refletir na cotação do dólar.
Conflitos entre Trump e o Fed e o cenário internacional
Nos EUA, há também uma disputa entre o governo e o Federal Reserve, com ameaças de criminalização contra o presidente do banco central, Jerome Powell, relacionadas a declarações sobre reformar um prédio do Fed. Sua atuação, contudo, é defendida por uma nota conjunta de banqueiros centrais mundiais, incluindo o Banco Central do Brasil, reforçando a independência do órgão.
As preocupações com esse embate político-financeiro pressionaram os mercados globais, que registraram baixa nos principais índices das bolsas americanas e europeias, ao mesmo tempo em que a China apresentou sinais de desaceleração na exportação no final do ano.
Expectativas futuras para o dólar e o mercado internacional
Analistas apontam que a tendência de alta do dólar deve continuar enquanto o cenário internacional permanecer instável, sobretudo com a expectativa de novas decisões do Fed e possíveis efeitos das tensões políticas e econômicas no Brasil. A volatilidade deve manter a atenção dos investidores atentos às próximas divulgações de dados econômicos nos EUA e ao andamento das investigações no Brasil.
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