As lideranças católicas e políticas na Groenlândia manifestaram preocupação e resistência às recentes tentativas dos Estados Unidos de adquirir o território, enquanto o governo norte-americano sinaliza intensificar esforços nesse sentido. A situação gera tensionamentos diplomáticos e religiosos na região ártica.
Reações dos líderes locais e religiosos frente à possível anexação
Segundo a secretária-geral da Conferência Episcopal Nórdica, irmã Anna Mirijam Kaschner, o clima entre os católicos na Groenlândia é de apreensão. Ela afirmou que a pequena comunidade católica, concentrada na paróquia de Cristo the King, em Nuuk, expressou o desejo de permanecer independente. “Os fiéis consideram a Groenlândia sua terra, seu país, seu lar, e não querem se tornar americanos”, destacou Kaschner, que também ressaltou que os bispos da Dinamarca, Suécia, Noruega, Finlândia e Islândia avaliarão a situação em reunião marcada para março.
“Ainda é cedo para fazermos declarações definitivas, mas a preocupação já se faz sentir entre os moradores, principalmente entre os católicos”, explicou a religiosa. Na ilha, a maioria da população pertence à Igreja Luterana, refletindo a influência do reino da Dinamarca, que mantém soberania sobre o território.
Contexto político e cultural da Groenlândia
A oposição à possível integração aos Estados Unidos é reforçada por declarações de líderes locais, que defendem a autodeterminação. Em uma declaração conjunta divulgada em 9 de janeiro, as principais forças políticas da Groenlândia afirmaram: “Não queremos ser americanos, não queremos ser dinamarqueses — queremos ser groenlandeses”.
Com amplo grau de autonomia desde o marco legal de 2009, a ilha dispõe de autoridade sobre seu sistema judiciário e policiamento. A possibilidade de independência plena ainda é uma pauta em discussão, com o governo local reforçando seu desejo de decidir o próprio futuro sem interferências externas.
Perspectivas e atuação da Igreja na questão
Apesar de a presença católica na Groenlândia ser restrita, a Igreja pode desempenhar um papel importante na orientação da comunidade local. Kaschner destacou que líderes europeus da Igreja podem se posicionar futuramente, sempre adotando uma postura de respeito à vontade popular e à soberania do povo groenlandês.
“A Igreja na região costuma agir com cautela em assuntos sensíveis como esse, priorizando o bem-estar e a autonomia dos povos”, afirmou a religiosa. Ainda assim, o foco principal do momento permanece na proteção do desejo de independência dos groenlandeses.
Implicações internacionais e futuras ações
O governo dos EUA, liderado pelo presidente Donald Trump, declarou que a aquisição da Groenlândia é uma prioridade de segurança nacional, chegando a indicar a possibilidade de uso de força militar para conseguir esse objetivo. Trump afirmou que, se os Estados Unidos não adquirirem a ilha, Rússia ou China podem fazê-lo, o que considerou inaceitável.
Por sua vez, a Dinamarca, cuja soberania sobre a ilha é reconhecida internacionalmente, busca manter o diálogo com os líderes groenlandeses enquanto a comunidade internacional observa atenta os desdobramentos dessa crise política e diplomática. A próxima reunião dos bispos e as declarações das lideranças locais deverão esclarecer os rumos do futuro da Groenlândia, balizada pelos interesses das comunidades e pelas aspirações de soberania do povo local.
Mais detalhes sobre os desdobramentos dessa questão podem ser acompanhados em breve, à medida que as negociações avancem e o cenário internacional se configure em torno dessa disputa pelo território.


