Brasil, 14 de janeiro de 2026
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Posts do governo dos EUA geram polêmica por semelhança com nazismo

Recentemente, uma série de publicações nas redes sociais de agências governamentais dos Estados Unidos levantou preocupações entre a população americana. As postagens, que remetem a ideologias do regime nazista, têm gerado intensos debates sobre as mensagens que o governo está transmitindo. No centro das críticas, uma frase postada pelo Departamento de Trabalho, que dizia: “Uma Pátria. Um Povo. Uma Herança. Lembre-se de quem você é, americano.” A imagem que acompanhava a frase era um retrato do presidente George Washington, causando desconforto em muitos que perceberam as semelhanças com a propaganda nazista.

A ressonância de slogans históricos

A frase, à primeira vista inofensiva, é comparável ao slogan famoso do regime nazista: “Ein Volk, ein Reich, ein Führer”, que se traduz como “Um Povo, um Império, um Líder”. Essa conexão não passou despercebida. A mensagem histórica e as implicações que ela carrega levaram a um levante contra a insensibilidade das mensagens publicadas pelas autoridades. Ao mesmo tempo, investigações do Southern Poverty Law Centre revelaram que o Departamento de Segurança Nacional também utilizou slogans nacionalistas brancos em anúncios de recrutamento.

A controvérsia se intensifica

Um dos anúncios investigados continha a frase “Nós teremos nossa casa de volta”, sobreposta a uma imagem de um cowboy. Este lema é diretamente extraído de uma canção de um grupo neo-nazista da América do Norte. A falta de resposta do DHS à crítica pública sobre esses conteúdos levanta questões sobre a responsabilidade das agências governamentais na propagação de linguagem que pode ser vista como fascista.

Um porta-voz do DHS reagiu a essas críticas, afirmando: “Chamar tudo aquilo que você não gosta de ‘propaganda nazista’ é cansativo. O DHS continuará a usar todas as ferramentas para se comunicar com o povo americano e mantê-los informados sobre nosso esforço histórico para fazer a América segura novamente.” No entanto, suas declarações não pareceram acalmar os ânimos, intensificando o debate sobre o que está sendo normalizado na comunicação política.

A influência da retórica do presidente Trump

O historiador Ian Garner, especialista em propaganda, analisou a situação e sugeriu que a escolha de imagens e mensagens controversas por parte da administração Trump é uma estratégia deliberada. Segundo Garner, “vimos isso repetidamente na forma como a Casa Branca se comunica. A administração tende a escolher as imagens e mensagens mais polêmicas, o que gera reações intensas e polarizadas, especialmente nas redes sociais.” Essa técnica de atrair polêmica serve tanto para provocar a oposição quanto para galvanizar seus apoiadores.

Garner apontou que esse comportamento está enraizado na própria personalidade de Trump, famosa por postagens provocativas. Para muitos apoiadores, essa retórica alimenta algo mais profundo: a aprovação de um discurso que se alinha com a violência e a radicalização.

Nazismo e normalização de ideais extremos

A normalização de uma linguagem associada ao nazismo e ao fascismo poderia ter consequências perigosas. Garner expressou que isso não só aquece o ambiente político, mas também legitima a presença de grupos extremistas nos Estados Unidos. “Quando você usa uma linguagem codificada fascista, você a normaliza, e isso torna aceitável. Já sabemos que existem grupos neo-fascistas e eleitores violentos no país; quando eles veem essa linguagem, isso os torna ainda mais entusiasmados”, disse.

Para muitos críticos, a postagem dessas mensagens está longe de ser apenas uma questão de palavras; é uma questão de como a ideologia é assimilada pela sociedade e, eventualmente, aceita como parte do discurso político. “Uma vez que algo se torna aceitável no discurso político, torna-se pensável. E, uma vez que é pensável, torna-se possível e, em última análise, muito mais provável que aconteça”, concluiu Garner.

A situação atual, portanto, não apenas suscita debates sobre a liberdade de expressão, mas também levanta questões sobre a responsabilidade das instituições em preservar a democracia e a dignidade humana em um país tão diversificado como os Estados Unidos.

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