Brasil, 14 de janeiro de 2026
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Aumento do antissemitismo entre jovens americanos gera preocupação

No último sábado, um incêndio criminoso destruiu a única sinagoga em Jackson, Mississippi, evidenciando o alarmante aumento do antissemitismo nos Estados Unidos. Esse ataque ocorreu em um contexto mais amplo de crescente hostilidade contra a comunidade judaica, marcada por atos de violência e discursos de ódio. Um exemplo notável anterior a este incidente foi uma manifestação em Queens, Nova York, onde gritos de apoio ao Hamas foram amplamente condenados, incluindo pela congressista Alexandria Ocasio-Cortez. A escalada da retórica antisemita se torna ainda mais preocupante com a recente tragédia em Minnesota, onde um manifestante foi fatalmente baleado por um agente de imigração, seguido de mensagens online que culpavam “traidores anti-americanos”, incluindo um político judeu, pela escalada de conflitos.

Pesquisa revela a juventude e suas visões

Um estudo recente da Yale Youth Poll, que entrevistou quase 3.500 eleitores registrados (com foco em jovens abaixo de 35 anos), lança luz sobre o estado atual do antissemitismo entre as gerações mais jovens. A pesquisa fez uma série de perguntas para discernir as atitudes negativas em relação a Israel e à comunidade judaica americana, revelando uma mudança geracional preocupante que tende a ser tanto anti-Israel quanto anti-judaica.

Resultados alarmantes surgem: apenas 24% dos entrevistados com idade entre 18 e 22 (e menos de 30% entre todos os jovens abaixo de 45 anos) acreditam que Israel deve existir como um estado judaico. Em contraste, essa visão é apoiada por 47% daqueles entre 45 e 64 anos e quase dois terços dos que têm 65 anos ou mais. Além disso, 15% dos jovens abaixo de 30 afirmaram que Israel não deveria existir, uma opinião raramente expressada entre os mais velhos.

Tendências preocupantes sobre atitudes antissemitas

A pesquisa também mostrou que cerca de 40% dos eleitores com menos de 30 anos concordavam com uma ou mais afirmações antissemitas, comparado a 26% dos eleitores com 45 anos ou mais. Estas afirmações incluíam a ideia de que “os judeus nos Estados Unidos são mais leais a Israel do que à América” e a ideia de que seria apropriado boicotar negócios de judeus americanos como forma de protesto. Mais de 20% dos jovens concordavam com duas dessas afirmações, enquanto apenas 10% dos eleitores mais velhos faziam o mesmo.

Outro ponto alarmante é que jovens eleitores foram mais aceitantes em relação a ações que visavam judeus americanos em resposta a políticas israelenses. Por exemplo, 22% dos entrevistados abaixo de 35 anos disseram que não era antissemitismo impedir um estudante judeu pró-Israel de participar de grupos teatrais, em comparação com apenas 11% da população em geral.

Fatores que influenciam a mudança de atitude

Mas, o que explica essa diferença geracional? Como o autor Yair Rosenberg aponta, jovens de hoje não possuem as vivências históricas do Holocausto e da Segunda Guerra Mundial que moldaram atitudes americanas em relação aos judeus no século XX. Eles também tendem a consumir informações através de mídias não convencionais, onde a supervisão e controle editorial são mais fracos, permitindo que material racista circule mais livremente. A mudança nas perspectivas sobre Israel, especialmente com o aumento do nacionalismo no país, pode ter influenciado essas novas crenças.

Não obstante, a pesquisa não revelou um padrão claro de ideologia ou partidarismo em relação ao apoio a declarações antissemitas, embora conservadores e republicanos tenham expressado maior apoio a Israel em comparação a liberais e democratas. Curiosamente, dentro do grupo de jovens adultos, aqueles que se identificam como conservadores mostraram-se mais propensos a concordar com alguma afirmação antissemita.

Desafios para a comunidade judaica e a política

Esse panorama levanta questionamentos não apenas sobre o futuro da comunidade judaica nos Estados Unidos, mas também sobre como esses sentimentos influenciam a política e a sociedade em geral. A situação é exacerbada por figuras políticas que falham em condenar explicitamente o antissemitismo em seus próprios círculos, desviando a responsabilidade e culpando outros. Recentemente, o ex-presidente Donald Trump condenou indiretamente antissemitas dentro do seu grupo sem mencionar nomes, e isso foi seguido por uma série de comentários problemáticos de outros membros do partido.

À medida que este ciclo de ódio continua a crescer, é crucial que a sociedade americana se una contra o antissemitismo em todas as suas formas, educando a juventude sobre a rica história do povo judeu e suas contribuições para o mundo, enquanto também confronta as narrativas e ideologias que perpetuam o preconceito e a discriminação.

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