As eleições presidenciais em Portugal, realizadas neste domingo (12), podem marcar uma mudança histórica no cenário político do país. Pela primeira vez desde a redemocratização, a ultradireita, liderada por André Ventura do Chega, aparece como favorito para avançar ao segundo turno, ameaçando a hegemonia do PS e do PSD, partidos que se revezaram na presidência desde 1986.
O cenário imprevisível e a ascensão da ultradireita
De acordo com a última pesquisa da Universidade Católica para RTP, Público e Antena 1, Ventura empata com António José Seguro, do Partido Socialista (PS), indicando uma disputa apertada ao centro na corrida presidencial. Desde 1986, PS e PSD alternaram-se na presidência, com nomes emblemáticos como Mário Soares, Jorge Sampaio, Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa. Agora, provavelmente pela primeira vez, uma figura da ultradireita pode ocupar a sexta cadeira do Palácio de Belém.
A força do Chega na votação
Ventura, que faz campanha com forte discurso anti-imigração e em defesa de valores tradicionais, já conquistou o apoio de uma parcela significativa da população. Sua ascensão representa uma mudança no tradicional eixo político, com o partido reforçando sua presença no Parlamento, tornando-se uma ameaça real ao domínio dos partidos mais antigos. Segundo o cientista político António Costa Pinto, “a direita radical e populista pode passar ao segundo turno e ser protagonista dessas eleições”, avalia.
Desafios das candidaturas tradicionais e o papel dos brasileiros em Portugal
Apesar das campanhas de recuperação, os principais candidatos do PS e do PSD enfrentam dificuldades para convencer os eleitores. António Seguro, ex-líder do PS, tentou reconquistar votos com um discurso de esperança, mas ainda figura atrás de Ventura na intenção de voto. Além disso, brasileiros residentes em Portugal, que têm direito de votar, acompanham de perto o cenário político, em um momento de questionamentos sobre a continuidade do atual modelo de representação.
Desde 1986, os presidentes portugueses têm sido figuras civis, com históricos de lideranças emblemáticas. Contudo, o avanço de candidatos com perfil outsider, como Gouveia e Melo, ex-comandante militar, e cotados em posições de destaque nas pesquisas, reforça a possibilidade de mudanças significativas na política do país. Gouveia e Melo, por exemplo, teria potencial para ser o primeiro presidente militar em quatro décadas, caso seja eleito.
O impacto de uma possível derrota dos partidos tradicionais
A eleição de Ventura ao segundo turno representaria uma derrota simbólica para o PS e o PSD, que enfrentam dificuldades para manter sua influência. Como destacou Costa Pinto, “o aspecto mais importante é que a direita radical e populista pode passar ao segundo turno e consolidar-se como protagonista”, mesmo que perca a votação final. Sua forte campanha anti-imigração e o uso de discursos de nostalgia aos tempos do Estado Novo, com frases como “Deus, Pátria, Família e Trabalho”, reforçam a polarização e a polarização nas urnas.
Se Ventura avançar ao segundo turno, a eleição pode marcar uma virada sem precedentes na história da democracia portuguesa, interrompendo um ciclo de hegemonia dos partidos tradicionais e abrindo espaço para uma nova configuração política no país, que já conta com uma coligação de direita liderada pelo PSD e com uma história marcada por momentos de instabilidade e debates sobre identidade nacional.
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