O tão aguardado retorno do programa Viva a Noite ao SBT traz consigo a figura carismática de Luís Ricardo como seu novo apresentador. A volta do programa, que faz parte da memória afetiva dos brasileiros, especialmente das donas de casa, está cercada de expectativas. Contudo, a escolha do dia e horário de exibição é uma questão fundamental que a direção do canal deverá abordar com cautela.
A importância do dia e horário para o Viva a Noite
O Viva a Noite é lembrado com carinho por ter sido um marco nas noites de sábado da televisão brasileira. De acordo com especialistas em audiência, a estratégia de programação deve ser muito bem analisada, uma vez que o sucesso do programa pode depender diretamente do dia escolhido para sua exibição. Muitas pesquisas podem falhar ao tentar entender a relação emocional das pessoas com a programação, especialmente em um cenário em que a TV aberta enfrenta uma competição acirrada.
A memória afetiva associada ao Viva a Noite indica que a melhor opção seria a sua exibição às noites de sábado, logo após as novelas da TV Globo, aproximadamente às 22h30. Qualquer mudança nesse esquema pode levar a uma redução significativa de audiência, já que o público-alvo, composto principalmente por donas de casa acima de 60 anos, tende a preferir a programação em horários consagrados.
As alternativas para a programação do SBT
Além do Viva a Noite, há outras opções de programação que o SBT deve considerar. Uma sugestão seria a exibição de um programa com Virginia Fonseca nas noites de sexta-feira. Essa estratégia poderia diversificar a audiência e preparar o público para o emocionante retorno do programa de Luís Ricardo, além de trazer um frescor à grade de programação.
A direção do SBT, liderada por Daniela Beyruti, tem um desafio à frente. Os desafios da baixa audiência são significativos, especialmente quando se observa a ascensão da TV Record, que se mantém como vice-líder no Ibope. Para o SBT, as vitórias pontuais não significam uma conquista real se não forem acompanhadas de um plano estratégico para fortalecer a audiência nos outros dias da semana.
Os desafios da TV aberta
A televisão aberta brasileira vive uma crise de identidade e gestão. A habilidade de um diretor de conteúdo não se resume a escalar bons apresentadores, mas também a desenvolver projetos sólidos que garantam a presença do canal na mente e nas casas dos telespectadores. O SBT enfrenta uma luta constante para recuperar sua posição de destaque, especialmente em um cenário onde os concorrentes operam com uma clara estratégia de programação.
Silvio Santos, o icônico fundador do SBT, deixou um legado que agora cabe à sua filha administrar. A falta de um projeto claro por parte de Daniela Beyruti levanta preocupações entre os críticos de televisão. Sem uma visão sólida, a manutenção da audiência é um objetivo difícil de alcançar. O espectador de TV aberta não se guia apenas por rostos conhecidos; eles buscam uma estrutura que ofereça entretenimento consistente, que faça sentido dentro da programação.
O futuro do SBT em meio à competição
Para o SBT, vence quem tem um planejamento bem estruturado. Pretender “ganhar um dia” sem ampliar a competitividade ao longo da semana não é uma solução viável. A programação precisa ser pensada de maneira ampla, atendendo às necessidades e gostos do público consumidor, com horários que efetivamente ressoem com as experiências e expectativas da audiência.
Neste cenário complicado, a volta do Viva a Noite é um divisor de águas. A recepção calorosa de Luís Ricardo pode, sem dúvida, dar uma nova dinâmica ao programa, mas a decisão sobre o horário será crucial para que o legado que ele representa continue a brilhar e a entreter o público que tanto estima esta atração.
Embora os desafios sejam consideráveis, o retorno do Viva a Noite pode ser o passo que o SBT precisa para reacender sua trajetória na televisão brasileira, desde que estratégia e execução caminhem lado a lado.


