Após 28 anos do lançamento original, ’28 Years Later: O templo dos ossos’ traz uma combinação de momentos poéticos e cenas de violência extrema, gerando controvérsia entre os fãs do gênero de zumbis.
Uma narrativa que oscila entre beleza e brutalidade
Dirigido por Nia DaCosta e escrito por Alex Garland, o filme apresenta uma mistura de poesia visual e violência que desafiam as expectativas do público. Embora algumas partes sejam emocionalmente tocantes, outras se tornam quase insuportáveis, especialmente pelas cenas sadísticas promovidas pela gangue liderada por Jimmy Crystal, interpretado por Jack O’Connell.
Personagens complexos e ambientes sombrios
O retorno do ator Alfie Williams como Spike revela sua trajetória de sobrevivência no mundo apocalíptico, enquanto Ralph Fiennes brilha como o excêntrico Dr. Kelson, um cientista obcecado por honrar as vítimas da pandemia com torres de ossos e músicas nostálgicas de sua juventude. Essa atmosfera melancólica contrasta com os momentos de violência exagerada, que exageram na sadismo e na carnivalização da dor.
O lado sombrio das cenas de violência
Apesar do cuidado na direção de DaCosta e na fotografia de Anthony Dod Mantle, as sequências de violência, especialmente aquelas lideradas por Jimmy Crystal, chegam a um nível de sadismo fetichizado, quase ao limite do torture porn. Os atos brutais, como esfolar vítimas vivos, reforçam a sensação de desconforto e exagero, questionando a necessidade de tanta intensidade na narrativa.
O conflito entre estética e ética
Fiennes se destaca na filmagem, transparecendo uma mistura de vulnerabilidade e loucura, enquanto o cenário de ruínas e ossadas reforça o tom pós-apocalíptico. Ainda assim, a insistência em cenas de tortura provoca debates sobre os limites do horror cinematográfico.
Perspectivas futuras e impacto cultural
Analistas avaliam que ‘O templo dos ossos’ poderia explorar mais o aspecto humano e filosófico do mundo pós-pandemia, como fez o filme original. Contudo, a forte carga de sadismo na produção atual ameaça alienar parte do público, que espera mais reflexão do que espetáculo de violência gratuita.
O filme reforça a discussão sobre o que constitui horror na atualidade, equilibrando estética poética e cenas grotescas. A expectativa é que futuras sequências possam encontrar um equilíbrio mais saudável entre esses elementos.


