Nos últimos dias, a Home Depot, famosa rede de melhoria para o lar, tomou uma decisão controversa em uma de suas lojas em Cypress Park, Los Angeles. Os novos dispositivos, conhecidos como canhões sonoros, foram instalados no estacionamento da loja com o objetivo de afastar trabalhadores migrantes que costumam se reunir no local à procura de serviço. A iniciativa, que já gerou diversas críticas, levanta questões sérias sobre direitos humanos e tratamento a minorias.
A polêmica dos canhões sonoros
De acordo com uma reportagem do The Guardian, o Instituto de Educação Popular do Sul da Califórnia (Idepsca), um grupo que defende os direitos dos trabalhadores migrantes, está pedindo a remoção desses dispositivos sonoros. Eles argumentam que os canhões sonoros estão causando desconforto extremo, incluindo dores de cabeça e náuseas, aos trabalhadores que ficam expostos ao barulho incessante.
Equipamentos como esses não são novos; já foram utilizados em operações de controle de multidões pela polícia. O mesmo tipo de tecnologia foi empregado durante protestos, como no caso do motim de Ferguson em 2014, onde canhões de som foram usados para dispersar manifestantes. Atualmente, no entanto, a tecnologia está sendo adaptada para um novo propósito: proteger propriedades corporativas e afastar trabalhadores que, muitas vezes, são vistos como inconvenientes.
Os impactos na comunidade local
Trabalhadores migrantes se reúnem em locais como o Home Depot em busca de oportunidades de trabalho informais. Este sistema, embora muitas vezes explorador, é crucial para a sobrevivência de muitos deles. Com a instalação dos canhões, a Home Depot acaba por punir aqueles que, em necessidade, estão simplesmente tentando ganhar a vida. Para a conselheira da cidade de Los Angeles, Eunisses Hernandez, essa política é um claro exemplo de um ataque a populações vulneráveis. “Eles escolheram usar o som como uma arma”, afirmou ela em uma conferência, ressaltando que tal abordagem é semelhante a tortura.
Um trabalhador entrevistado afirmou que precisa usar protetores auriculares para suportar o barulho, que ele descreve como “penetrante”. Essa descrição ilustra o sofrimento que muitos estão enfrentando devido à implementação dessa tecnologia, que foi disfarçada como uma iniciativa de segurança.
Contexto de repressão e imigrantes
Essa instalação de canhões sonoros ocorre em um momento delicado para a comunidade migrante da Califórnia. Nos últimos meses, reportagens têm documentado uma série de operações da ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas), onde trabalhadores com aparência latina são detidos em alta escala. Esses eventos têm gerado um clima de medo e insegurança entre aqueles que já enfrentam desafios para conseguir trabalho. Com os canhões sonoros, muitos sentem que estão sendo empurrados para longe, sem qualquer espaço para diálogo ou negociação.
O estado de alerta se intensifica, especialmente considerando que muitos dependem do que a economia informal oferece em termos de sustento. Hernandes também mencionou que a instalação dos dispositivos não se limita ao Home Depot, já que a California Department of Transportation (Caltrans) está seguindo o mesmo caminho, justificado pelo mesmo argumento de segurança pública.
Resposta da Home Depot e a luta por direitos humanos
Até o presente momento, a Home Depot não se posicionou de maneira clara sobre as notícias relacionadas à repressão da imigração ocorrendo em seus estacionamentos. Quando questionada sobre os canhões sonoros, a empresa alegou que a tecnologia foi aplicada apenas para evitar estacionamentos ilegais durante a noite, desassociando a iniciativa de qualquer esforço de fiscalização de imigração. No entanto, muitas vozes na comunidade acreditam que a real intenção é criar um ambiente hostil para aqueles que necessitam de oportunidades.
As organizações de direitos humanos e os ativistas estão se mobilizando para contestar essa tática, considerando-a uma violação dos direitos básicos dos trabalhadores migrantes. A luta continua para que as vozes dessas comunidades sejam ouvidas e respeitadas, buscando um equilíbrio entre segurança e dignidade humana.
É essencial que a sociedade como um todo reflita sobre as implicações de tais medidas e busque promover um ambiente inclusivo, onde todos possam trabalhar e viver dignamente, sem o medo de serem expulsos de espaços que deveriam ser comuns a todos.


