Brasil, 13 de janeiro de 2026
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Disputa interna no PT em Pernambuco gera divergências sobre apoio

Uma disputa interna no Partido dos Trabalhadores (PT) em Pernambuco está provocando tensões a respeito do provável apoio da sigla ao prefeito de Recife, João Campos (PSB), caso ele decida se candidatar ao governo estadual este ano. Um grupo de deputados estaduais defende que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) adote uma estratégia de palanque duplo no estado natal do petista, apoiando tanto Campos quanto a atual governadora Raquel Lyra (PSD), que deve concorrer à reeleição. Enquanto isso, o diretório do PT em Pernambuco busca destacar que ainda não há uma decisão acordada e que as opiniões expressas por seus membros refletem apenas posições pessoais.

Contexto da disputa em Pernambuco

João Campos, além de ser o prefeito de Recife, ocupa o cargo de presidente nacional do PSB, partido que conta com o apoio do vice-presidente Geraldo Alckmin à reeleição de Lula. Por outro lado, Raquel Lyra, que migrou para o PSD em março, procura se aproximar do governo federal, com incentivo de figuras proeminentes do PT, como o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e outros membros locais da sigla. Contudo, o PSD também demonstra alinhamento com a candidatura do governador do Paraná, Ratinho Júnior, à presidência.

Possibilidade de um palanque duplo

A ideia de um palanque duplo para a campanha é apoiada por figuras-chave, como o deputado estadual João Paulo, líder da bancada do PT na Assembleia Legislativa de Pernambuco. Ele argumenta que essa estratégia poderia garantir a amplitude necessária para a campanha de Lula em todo o estado, vital para seus objetivos de reeleição e fortalecimento nas eleições legislativas.

A importância do apoio a Lyra e Campos

O deputado João Paulo enfatiza que: “A governadora vem reconhecendo a importância do apoio de Lula. Não acredito que ela vá apoiar um candidato da oposição ao Planalto. Estar ao lado dela garante a Lula vantagem na penetração da campanha no interior de Pernambuco.” A expectativa é que o PT possa ampliar sua votação no Nordeste, um fator determinante para as eleições federais do próximo ano.

O ex-presidente do PT em Pernambuco, deputado Doriel Barros, também clama por um alinhamento com o PSB, ressaltando que até o momento o diálogo não tem sido aberto o suficiente. Para ele, dois palanques seriam benéficos e garantiriam mais votos para Lula. “O diálogo precisa ser mais aberto, o que não vem acontecendo”, afirma Barros. Ele destaca a necessidade de um consenso que possa maximizar o apoio a Lula nas eleições de 2024.

Fases do debate no PT

A direção estadual do PT informa que o debate está em sua fase inicial. Carlos Vera, presidente do PT em Pernambuco e deputado federal, declara que ainda não há uma posição oficial da sigla. “As opiniões são resultado do livre pensar de cada um. Mas, não necessariamente expressam a posição do PT. Estamos em fase inicial do debate coletivo”, observa.

O senador Humberto Costa também considera prematuro discutir a questão neste momento, garantindo que, quando uma decisão final for tomada, haverá união entre os membros do partido. Ele acredita que a contribuição de diversas lideranças, mesmo com opiniões divergentes, é parte do processo normal de decisões dentro da sigla.

Corrida pelo apoio de Lula

A disputa por apoio entre Raquel Lyra e João Campos tem se intensificado conforme as eleições se aproximam. Um episódio emblemático ocorreu em agosto, quando Campos tentou se estabelecer como um “soldado” de Lula em um evento, enquanto a governadora estava ocupada com compromissos relacionados ao presidente.

Apesar de ambos os postulantes tentarem se aproximar do governo federal, as estratégias são diferentes. Raquel, durante sua filiação ao PSD, contou com a presença de ministros próximos a Lula, reforçando suas intenções de se aproximar do petismo, enquanto Campos tem buscado consolidar sua imagem no cenário político estadual, tentando esvaziar a ideia de um palanque duplo.

Com um cenário político em constante evolução, é evidente que as próximas semanas serão cruciais para definir o futuro do PT em Pernambuco, bem como seu alinhamento estratégico nas eleições que se avizinham. A pressão por uma definição clara em relação ao apoio a Campos e Lyra será um desafio tanto para a sigla quanto para seus lideres ao longo desse caminho político complexo.

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