A Argentina fechou 2025 com uma inflação de 31,5%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) divulgado nesta terça-feira (13) pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). O resultado indica uma forte melhoria em comparação aos 117,8% registrados em 2024, refletindo uma fase de ajuste econômico e crise política no país.
Reforma econômica e impacto nos preços
O governo de Javier Milei, eleito em dezembro de 2023, implementou uma ampla reforma econômica que incluiu o corte de subsídios às tarifas de água, gás, luz, transporte e outros serviços essenciais. Essas medidas resultaram em aumento expressivo nos preços ao consumidor.
Apesar de a inflação ter desacelerado, o índice acelerou no último trimestre de 2025, atingindo 2,8% em dezembro, acima dos 2,5% de novembro. Segundo o Indec, a melhoria inicial ocorreu devido ao forte ajuste fiscal e à retomada de confiança de investidores, apesar da crise política e do cenário de instabilidade.
Crise política e volatilidade no mercado
No terceiro trimestre, o país enfrentou uma crise política intensa após o vazamento de um áudio envolvendo Karina Milei, irmã do presidente e secretária-geral da Presidência, acusada de corrupção. Tal episódio levou a uma derrota de Javier Milei nas eleições da província de Buenos Aires em setembro, uma das mais relevantes do país, que concentra quase 40% do eleitorado.
Logo após, o peso argentino sofreu forte desvalorização, atingindo o menor valor histórico de 1.423 por dólar e fechando 2025 cotado a 1.451,50, uma queda de quase 40% em relação ao início do ano. As turbulências aumentaram a pressão inflacionária e geraram preocupação nos mercados internacionais.
Apoio de Trump e estabilização financeira
Um fator crucial para a estabilização foi o apoio dos Estados Unidos, que anunciou um acordo de swap cambial de US$ 20 bilhões em outubro, elevando o socorro financeiro total para US$ 40 bilhões. Essas medidas buscaram fortalecer as reservas de dólares do país e recuperar a confiança dos investidores.
Após o apoio, Milei conseguiu uma vitória nas eleições de meio de mandato, em 26 de outubro, garantindo maior estabilidade política e continuidade das reformas. Esse cenário ajudou a conter a disparada do dólar e melhorar as perspectivas econômicas do país.
Empréstimos e acordo com o FMI
Em abril de 2025, Milei assinou um acordo de empréstimo de US$ 20 bilhões com o Fundo Monetário Internacional (FMI), sendo a primeira parcela de US$ 12 bilhões liberada logo após. O fundo manifestou confiança no programa econômico do líder argentino, apesar do endividamento que já supera US$ 40 bilhões.
O governo adotou medidas de flexibilização cambial e controle de capitais, tentando reduzir a inflação para abaixo de 2% ao mês e reestruturar a economia. Contudo, a deterioração nos mercados e a necessidade de intervenção no câmbio ainda marcam a trajetória argentina em 2025.
Segundo analistas, a combinação de ajustes econômicos, apoio internacional e crescimento de confianza dos investidores será fundamental para o futuro econômico do país, que ainda enfrenta desafios significativos nesta fase de recuperação.


