A venda de carros e veículos comerciais leves, como picapes e furgões, deve avançar cerca de 3% em 2026, atingindo mais de 2,6 milhões de unidades, projeta a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).
No ano passado, as vendas de automóveis e veículos comerciais novos tiveram alta de 2,58%, com aproximadamente 2,5 milhões de unidades comercializadas, conforme divulgado pela instituição. Quando somados os segmentos de caminhões e ônibus, a expectativa para 2026 é de crescimento de 3,02%, totalizando quase 2,8 milhões de unidades vendidas. No total, todos esses segmentos somaram, em 2025, um crescimento de 2,08%, com 2,7 milhões de veículos licenciados.
Desafios macroeconômicos limitam crescimento do setor
Contudo, especialistas avaliam que o setor poderia estar crescendo ainda mais. Tereza Fernandez, economista da Fenabrave, afirma que as condições macroeconômicas no Brasil impedem um avanço mais expressivo. “Estamos longe de atingir o pico de 2011, quando foram vendidas 3,4 milhões de automóveis e comerciais leves, e 3,6 milhões considerando caminhões e ônibus. Mas as condições atuais, como o alto endividamento das famílias e a expectativa de juros que não devem cair na velocidade desejada, dificultam um crescimento maior”, explicou.
Expectativa para o setor de veículos mais amplos
Para o conjunto de segmentos — incluindo automóveis, veículos leves, caminhões, ônibus, motocicletas, implementos rodoviários e outros — a projeção da Fenabrave é de aumento de 6,10%, impulsionada principalmente pelo segmento de motocicletas, que deve crescer cerca de 10% neste ano.
No ano passado, todos esses setores tiveram alta de 8%, com 5,1 milhões de veículos emplacados. O segmento de caminhões, que enfrentou dificuldades por causa do crédito e do endividamento de empresas do setor agropecuário, deve registrar crescimento de cerca de 3%, embora ainda opere sobre uma base negativa, já que fechou 2025 com uma retração de 8,65%.
“O programa do governo anunciado neste ano, o Move Brasil, que oferece crédito para compra de caminhões, será fundamental para evitarmos números negativos. Ele deve contribuir para um desempenho positivo no segmento em 2026”, destacou a economista.
Perspectivas e obstáculos
No entanto, Fernandez observa que o potencial de crescimento poderia ser maior se não fossem os problemas macroeconômicos do país. “O crescimento sustentável no Brasil está difícil devido ao risco inflacionário, que mantém os juros altos. Além disso, o risco fiscal impede avanços mais expressivos”, afirmou.
Ela acrescenta que, sem esses fatores, o avanço na venda de caminhões poderia chegar a 5% ou 6%, visto que cerca de 65% de tudo que é produzido no país depende do transporte rodoviário. “Existe espaço para um desempenho melhor, e a necessidade de melhorias é evidente”, conclui.
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