O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reforçou acusações públicas contra Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, nesta terça-feira (13). Trump afirmou que o banco central está “bilhões de dólares acima do orçamento” e insinuou incompetência ou corrupção na gestão de Powell, enquanto o Departamento de Justiça investiga uma reforma na sede do Fed.
Crise com Powell e o conflito com a Casa Branca
Segundo Trump, as dificuldades financeiras do Fed indicam má administração. “Não sei o que é, mas certamente não faz um trabalho muito bom”, declarou ao deixar a Casa Branca rumo a um discurso em Detroit. A escalada do ataque coincide com a avaliação do presidente sobre quem nomear como sucessor de Powell, cujo mandato termina em maio.
Investigação e implicações para o Fed
Na semana passada, Powell revelou que o Departamento de Justiça notificou o Fed com intimações relacionadas a uma reforma na sede do banco. “O Departamento de Justiça havia notificado o Fed com intimações decorrentes de uma investigação sobre um projeto de reforma e sobre o testemunho de Powell ao Congresso”, informou o presidente do Fed no domingo.
Reação do Congresso e apoio internacional
Senadores republicanos, como Thom Tillis, da Carolina do Norte, ameaçaram bloquear todas as nomeações ao Fed até que a questão seja resolvida. Outros, como Lisa Murkowski e Kevin Cramer, também criticaram a investigação. Em resposta, ex-presidentes do Fed e ex-secretários do Tesouro, de diversos alinhamentos políticos, emitiram uma declaração conjunta condenando a ação, afirmando que ela “não tem lugar nos Estados Unidos”.
Na segunda-feira, um grupo de bancos centrais de diferentes países manifestou apoio a Powell, destacando a importância da independência do banco central americano. Entre os signatários estão Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central do Brasil, e Christine Lagarde, do Banco Central Europeu.
Reações e posições de apoio
Ex-presidentes do Fed e dirigentes de bancos centrais de várias partes do mundo reforçaram a defesa da autonomia de Powell diante das ameaças. “A independência do Fed é fundamental para a estabilidade econômica dos Estados Unidos”, destacou Roberto Santos, presidente do Banco Central do Brasil.
Por outro lado, Trump sinalizou que só nomeará um novo presidente do Fed se este se comprometer a reduzir as taxas de juros, uma postura que põe em risco a independência da autoridade monetária dos EUA. “Se o novo presidente não se comprometer a cortar as taxas, não será nomeado”, afirmou o presidente.
Perspectivas futuras e impacto na política monetária
O clima de tensão traz incertezas para a condução da política monetária no país. Powell declarou que as investigações e a pressão política representam “pretextos” para influenciar a decisão do Fed sobre as taxas de juros, que atualmente se mantêm em um nível neutro e deverão permanecer sob avaliação contínua.
Especialistas alertam que a interferência política pode prejudicar a estabilidade econômica dos EUA, reforçando a importância da independência do Banco Central para o funcionamento do sistema financeiro.
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