Brasil, 13 de janeiro de 2026
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Impacto das tarifas de Trump no comércio brasileiro com o Irã pode afetar exportações de milho

O setor de agronegócio brasileiro enfrenta incertezas quanto ao impacto das iminentes tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos ao Irã, segundo avaliou o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), Paulo Bertolini. A medida, se confirmada, pode afetar significativamente as exportações brasileiras ao país do Oriente Médio, maior consumidor de milho brasileiro em 2025.

Repercussões no comércio de milho e soja

Segundo Bertolini, o impacto será mais perceptível no curto prazo, caso o Brasil decida deixar de exportar para o Irã por ameaça dos Estados Unidos. “Existem contratos em andamento, programação de navios para embarques futuros. Uma decisão repentina de suspender as exportações afetaria tudo isso rapidamente”, afirmou. Em 2025, somente o milho representou 67,9% do total de exportações brasileiras ao Irã, com vendas superiores a US$ 1,9 bilhão, sendo que a soja respondeu por 19,3%, cerca de US$ 563 milhões.

Dependência do Irã e mercado relevante

Apesar de representar apenas 0,84% das exportações brasileiras, o comércio com o Irã movimentou cerca de US$ 3 bilhões no último ano. Bertolini destacou que o país é um mercado relevante, especialmente para o milho, cuja produção mundial é dominada por Estados Unidos, Argentina e Brasil. “O Irã é altamente dependente do milho brasileiro, que vinha em uma faixa de 3 a 4 milhões de toneladas anuais, e no ano passado essa quantidade pulou para mais de 7 milhões”, declarou.

Riscos e alternativas de suprimento

Apesar da dependência iraniana, a possibilidade de sanções americanas levar a uma interrupção total das exportações preocupa o setor. O presidente da Abramilho reforçou que o Irã encontra poucas alternativas para substituir o milho brasileiro, pois a guerra na Ucrânia impede a exportação daquele país, e os principais fornecedores mundiais — Estados Unidos, Argentina e Brasil — controlam quase todo o comércio internacional.

Perspectivas para o futuro e possibilidade de reversão

Bertolini acredita que Trump pode reverter a decisão ou, ao menos, permitir a exportação de alimentos sem tarifas adicionais, evitando uma crise no fornecimento de milho ao Irã. Além do milho e da soja, exportações de açúcar, melaços, farelo de soja e alimentos para animais também devem ser afetadas, totalizando cerca de 6,5% a 6,2% das vendas brasileiras para o país.

Por outro lado, as importações brasileiras do Irã são pequenas, somando cerca de US$ 84 milhões em 2025, majoritariamente em adubos, fertilizantes, frutas e nozes, o que minimiza o impacto para a economia brasileira neste aspecto.

Para especialistas, a decisão das tarifas ainda está em avaliação, e há possibilidades de mudanças que possam minimizar os efeitos negativos no setor agrícola brasileiro. No entanto, a incerteza reforça a preocupação sobre o comércio com o Irã e seus efeitos na cadeia de suprimentos global.

Para mais detalhes, acesse a matéria completa.

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