Daqui a sete anos, a Igreja Católica e o mundo cristão vão celebrar um marco histórico: os 2 mil anos da Redenção, que se deu pela Paixão, morte e Ressurreição de Cristo. Em novembro último, em Niceia, durante uma reunião com líderes de diversas Igrejas cristãs, o Papa Leão XIV convocou uma peregrinação ecumênica a Jerusalém, um evento sem precedentes na história da Igreja. Esse Jubileu busca não apenas recordar a Resurreição mas também promover a unidade entre as diversas denominações cristãs, refletindo seu significado e alcance em um mundo tão dividido.
A convocação do Papa Leão XIV
O ano de 2025 já se mostra significativo com o Jubileu da Esperança, que deverá atrair milhões de peregrinos a Roma. A partir dessa celebração, o Papa Leão XIV anunciou, em sua primeira Viagem Apostólica ecumênica, o convite a líderes de todas as Igrejas cristãs para que juntos sigam um caminho espiritual que culminará no Jubileu da Redenção em 2033, com um foco especial na cidade onde Jesus viveu e cumpriu sua missão: Jerusalém. O pensamento por trás dessa convocação reflete o lema episcopal do Papa: “In Illo Uno Unum” — “Nele que é Um (Cristo), nós somos Um”.
No ambiente de fraternidade e colegialidade em Niceia, a assembleia discutiu como preparar esse evento especial com um espírito de união e colaboração. O Pe. Frans Bouwen, missionário e uma das figuras centrais do ecumenismo na Terra Santa, falou sobre sua alegria e esperança em relação a esse anúncio.
Significado do retorno a Jerusalém
O Pe. Frans Bouwen destacou a importância do retorno a Jerusalém, não apenas como um evento comemorativo, mas como uma renovação das raízes cristãs comuns que unem todas as Igrejas. Esse desejo de retorno ecoa as intenções do Papa Paulo VI na década de 1960, que buscou enraizar as relações da Igreja Católica com sua própria história e com a missão que Jesus lhe confiou. A peregrinação em 2033, se realizada com autenticidade, poderá se tornar um sinal profético de renovação espiritual para todos os cristãos.
Comentaristas e teólogos acreditam que este Jubileu poderá ser um marco não apenas para a Igreja Católica, mas também um momento de reconciliação e unidade para todos os cristãos, refletindo o progresso que foi feito nas últimas décadas na busca pela unidade. A experiência do Papa Paulo VI e do Patriarca Atenágoras em 1964 é vista como um prelúdio desse movimento ecumênico que agora avança em direção a 2033.
Uma nova esperança para a unidade cristã
O Pe. Bouwen tem fé de que o Jubileu de 2033 pode representar um novo começo para as relações entre as diferentes denominações cristãs. “Se conseguirmos realizar essa peregrinação juntos, será um sinal claro de que as Igrejas estão caminhando juntas rumo à plena comunhão”, disse ele. “Essa unidade será uma testemunha poderosa para o mundo, especialmente diante das divisões e desafios que enfrentamos atualmente.”
O caminho para 2033, enfatizou Bouwen, não deve apenas focar em grandes celebrações, mas na construção de um espírito ecumênico nos anos que levarão até lá. “Devemos nutrir essa dimensão ecumênica e buscar o acompanhamento do Espírito Santo em cada passo”, reforçou.
Preparação para a peregrinação
Com a proximidade desse evento histórico, líderes cristãos sublinham a necessidade de uma preparação cuidadosa e inclusiva. A criação de grupos de trabalho ecumênicos, tanto em nível local quanto global, será crucial para definir como essa peregrinação acontecerá. Além disso, a Igreja de Jerusalém, considerada por muitos como a “Igreja Mãe”, deve ser envolvida desde o início para que todos os preparativos respeitem suas tradições e direções.
O Pe. Bouwen observa que não será uma tarefa fácil, mas cada passo em direção a Jerusalém deve ser fundado no respeito mútuo e na busca por um entendimento profundo das práticas espirituais de cada Igreja. “O retorno a Jerusalém é antes de tudo um reconhecimento de nossa história comum e um convite à renovação”, concluiu.
Um chamado à esperança e à perseverança
Como as comunidades cristãs se preparam para enfrentar os desafios que antecedem esse evento, a mensagem subjacente é clara: a preparação deve ser feita com esperança e um firme compromisso com a unidade. O Papa Francisco afirmou, em diversas ocasiões, que a unidade se alcança “caminhando juntos”. Assim, o horizonte de 2033 se apresenta não apenas como uma data, mas como uma oportunidade para que os cristãos renovem seu compromisso de paz e colaboração em um mundo que tanto precisa de esperança.
Por fim, a jornada rumo ao Jubileu da Redenção não é só uma celebração, mas também um chamado à ação e ao testemunho da fé em um mundo que tanto carece de amor e compreensão.


