Brasil, 13 de janeiro de 2026
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Microplásticos do Carnaval são encontrados na Praia do Flamengo

Um novo estudo publicado em dezembro de 2025 pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) revelou dados alarmantes sobre a contaminação por microplásticos na Praia do Flamengo, localizada na Baía de Guanabara, um dos cartões-postais do Rio de Janeiro. A pesquisa identifica que grande parte das partículas de microplásticos encontradas nas amostras de areia é proveniente do Carnaval, um dos eventos mais populares do Brasil e que atrai milhões de foliões todos os anos.

O impacto do Carnaval na poluição por microplásticos

O Carnaval é uma festividade que atrai tanto brasileiros quanto turistas, gerando alegria, cores e… lixo. De acordo com Tatiana Medeiros Barbosa Cabrini, coautora do estudo e professora da Unirio, a Praia do Flamengo foi escolhida para a pesquisa devido à sua relevância ecológica e fácil acesso. O local recebe uma grande quantidade de blocos de rua, alguns com mais de 100 mil participantes, o que proporciona uma oportunidade única para avaliar o impacto de grandes eventos na contaminação ambiental.

A pesquisa, que envolveu quatro etapas de coleta de amostras, foi realizada em momentos estratégicos: três dias antes do Carnaval, durante a festividade, e até oito meses depois da festa. Os dados obtidos mostraram que, enquanto a menor concentração de microplásticos foi registrada antes do Carnaval, o nível mais alto foi encontrado logo após a festa, sugerindo que as festividades aumentam significativamente a poluição local.

Resultados da pesquisa sobre microplásticos

A análise das amostras coletadas apresentou uma composição preocupante do lixo microscópico encontrado na areia da Praia do Flamengo:

  • 66,3% eram fragmentos de plástico, incluindo o glitter, que é considerado um dos principais responsáveis pela poluição;
  • 26,2% eram fibras, que são extremamente perigosas para a saúde de organismos marinhos;
  • 7,5% eram grânulos.

Mesmo oito meses após o Carnaval, a quantidade de microplásticos ainda era maior do que o período anterior à festa, evidenciando que as praias atuam como “sumidouros naturais”, retendo esses resíduos. Além disso, a intensa atividade recreativa e a má gestão de resíduos contribuíram para um aumento considerável na contaminação.

Os riscos dos microplásticos para o meio ambiente e saúde

A presença de microplásticos no meio ambiente gera grandes preocupações. Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), essas partículas poluentes são encontradas desde as superfícies até as profundezas dos oceanos. Elas podem permanecer no ambiente por longos períodos, além de absorverem outros poluentes, como metais pesados, potencializando seus efeitos nocivos.

Os impactos biológicos das micropartículas são alarmantes, pois há evidências de que organismos marinhos, desde o plâncton até peixes, estão ingerindo essas partículas. Isso pode resultar em distúrbios no trato digestivo, comprometimento do crescimento e até mesmo estresse e inflamação nos animais. As consequências podem se estender aos seres humanos, à medida que os microplásticos infiltram-se na cadeia alimentar.

Legislação e ações necessárias no Brasil

Internacionalmente, ações têm sido tomadas para mitigar o uso de microplásticos. Na União Europeia, um acordo foi estabelecido para proibir a venda de glitter plástico solto. Na Califórnia, há discussões sobre a proibição de microesferas em produtos cosméticos. No Brasil, um projeto de lei de 2020 propõe a proibição da fabricação e venda de glitter com microesferas plásticas, mas o processo legislativo parece estagnado na Câmara dos Deputados, sem movimentações significativas.

Tatiana Medeiros destaca que a legislação precisa avançar, e isso depende do diálogo entre gestores, a população e investimentos em alternativas biodegradáveis que sejam viáveis economicamente. O estudo sugere que a mudança de hábitos da população é crucial, enfatizando a necessidade de melhorar a gestão de resíduos e optar por itens com menor impacto ambiental.

Infelizmente, tentativas de contato com a Prefeitura do Rio de Janeiro sobre ações preventivas para reduzir resíduos durante o próximo Carnaval não obtiveram retorno. A falta de políticas públicas imediatas indica que a conscientização e a responsabilidade individual são fundamentais para minimizar os efeitos do Carnaval na contaminação por microplásticos.

Com a crescente atenção para as questões ambientais, é essencial que todos façam a sua parte e que medidas efetivas sejam adotadas para proteger nossos ecossistemas e a saúde pública a longo prazo.

*Texto sob revisão de Rodrigo Peronti.

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