O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, assinou nesta segunda-feira (12) uma declaração conjunta em defesa da autonomia dos bancos centrais, em um momento de tensão global e local. O documento reúne autoridades de instituições como o Banco Central Europeu, o Banco da Inglaterra e o Banco de Compensações Internacionais (BIS), reafirmando a importância da independência técnica para a estabilidade econômica.
O apoio à autonomia ante ataques e instabilidades
O manifesto aborda a necessidade de preservar a autonomia das instituições como um dos pilares para garantir a estabilidade de preços e o bem-estar dos cidadãos, sempre sob o Estado de Direito e a transparência democrática. Segundo comunicados do BC brasileiro, a assinatura ocorre em contexto de tensão também no Brasil, marcado pela liquidação do Banco Master e questionamentos sobre a intervenção do Tribunal de Contas da União (TCU).
Ao assinar o documento, Galípolo posiciona o Brasil ao lado de órgãos internacionais que defendem a independência dos bancos centrais — uma estratégia considerada essencial para a manutenção da credibilidade e da estabilidade financeira.
Contexto de tensão nos Estados Unidos e no Brasil
Desafios no Federal Reserve
Nos Estados Unidos, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, enfrentou intimidações do Departamento de Justiça, que notificou a instituição com ameaças de ação criminal relacionadas ao seu depoimento ao Senado sobre uma reforma de prédios históricos da entidade. Powell declarou respeito pelo Estado de Direito, mas criticou a pressão contínua do governo dos EUA, destacando a relevância da independência do Fed no cenário de altas nos juros.
“Ninguém — especialmente o presidente do FED — está acima da lei”, afirmou Powell, que deixará o cargo em maio, ao final de seu mandato.
Questionamentos no Brasil
No Brasil, o Banco Central enfrenta questionamentos do TCU, que solicitou esclarecimentos sobre a liquidação do Banco Master, ocorrida em novembro do ano passado. A decisão gerou controvérsia, pois o processo envolveu suspeitas de fraudes na venda de carteiras de crédito do banco por valores significativos.
O presidente do TCU, Vital do Rêgo Filho, reuniu-se com Galípolo na tentativa de conciliar a autonomia do BC com o poder de fiscalização do órgão. Segundo o ministro, o BC concordou com uma inspeção técnica no Banco Master, que ainda está sob análise.
Perspectivas futuras
O apoio internacional à independência dos bancos centrais reforça o compromisso de preservar a estabilidade econômica frente às pressões políticas. No Brasil, a assinatura do manifesto ocorre em momento de dificuldades, mas também de reafirmação institucional no combate às influências externas e internas prejudiciais às políticas monetárias.
Segundo especialistas, fortalecer a autonomia do Banco Central é fundamental para evitar que interesses políticos comprometam a credibilidade da política monetária e, consequentemente, a economia do país.
Para mais detalhes sobre a declaração conjunta e as repercussões, acesse o fonte original do G1.


