A contratação da advogada Viviane Barci de Moraes pelo Banco Master, que prevê um valor mensal de R$ 3,6 milhões, tem gerado polêmicas devido à falta de atuação da profissional nos órgãos públicos onde deveria estar inserida. Apesar do alto valor acordado, a atuação de Viviane é desconhecida em pelo menos três das quatro instituições do Executivo às quais deveria prestar serviços: o Banco Central, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Essa situação levanta questões sobre a natureza do contrato e a transparência das ações envolvidas.
Contratação polêmica
O contrato firmado entre Viviane Barci de Moraes e o Banco Master, revelado por meio de um blog de jornalismo investigativo, previa uma atuação abrangente da advogada junto ao Judiciário, Legislativo e várias agências do Executivo. Entre as cláusulas, estava a organização de “cinco núcleos de atuação” direcionados a assegurar interesses do banco em diferentes esferas governamentais. Contudo, a PGFN confirmou que não há registros de ingressos de Viviane entre janeiro de 2024 e dezembro de 2025, período em que o contrato se encontra ativo.
A falta de registros nos órgãos governamentais
Além da PGFN, tanto o Banco Central quanto o Cade também informaram que não existe registro de qualquer reunião ou atividade realizada pela advogada em suas sedes. Em resposta a um pedido de informação, a PGFN esclareceu que, após consultarem suas unidades regionais, não foi detectada nenhuma entrada física da Sra. Viviane em suas instalações. Essa situação se torna ainda mais grave devido ao fato de que o contrato estabelece explicitamente sua presença e atuação junto a essas instituições.
Expectativa de ganhos milionários
O contrato pode representar, se plenamente cumprido, mais de R$ 130 milhões até 2027, o que coloca em questão a efetividade da contratação e as reais intenções por trás dela. O Banco Master, um banco em dificuldades financeiras, conta com o apoio político significativo, e a busca da esposa de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) por atuação em instituições-chave levanta suspeitas sobre possíveis conflitos de interesse.
Intervenções políticas e pressões
Vestígios de um ambiente político conturbado também permeiam essa contratação. De acordo com informações publicados, Alexandre de Moraes, marido de Viviane, fez “pressões” ao presidente do Banco Central em diversas ocasiões em prol do Banco Master. Isso gerou ainda mais polêmica, pois a proximidade da advogada ao governo pode interferir em decisões relevantes para o setor financeiro brasileiro.
Defesa da advogada
A equipe da coluna de investigação tentou entrar em contato com Viviane, buscando um posicionamento sobre a situação atual. No entanto, houve dificuldades em obter informações diretamente dela, uma vez que sua assessoria indicou que não estava autorizada a fornecer detalhes. Em nota, o ministro Alexandre de Moraes defendeu que seu escritório de advocacia nunca atuou na aquisição do Banco Master e alegou que suas reuniões com o Banco Central tratavam apenas da repercussão das sanções da Lei Magnitsky.
Conclusão
O caso da contratação de Viviane Barci de Moraes pelo Banco Master coloca em evidência não apenas a falta de atuação da advogada em órgãos públicos, mas também questões mais amplas sobre a transparência e os vínculos entre o setor privado e político no Brasil. As controvérsias emergentes em torno dessa situação lembram o papel fundamental da ética e da responsabilidade na política e no serviço público.
Embora o contrato tenha sido aprovado, as repercussões e análises deste caso continuarão a ser acompanhadas de perto, especialmente à medida que novos detalhes se tornem disponíveis.


