A produção de fertilizantes em Sergipe ganha destaque, pois o Brasil ainda é fortemente dependente de compras externas, especialmente de países como Irã, Rússia, China e Canadá. Essa dependência revela fragilidade na cadeia de abastecimento do setor agrícola brasileiro, que necessita de insumos essenciais para o cultivo.
Irã no cenário das exportações e importações agrícolas do Brasil
Segundo dados do Agrostat, o Irã foi o 11º maior destino das exportações do setor agro brasileiro em 2025, respondendo por 1,73% das vendas, o que equivale a US$ 2,9 bilhões. Os principais produtos exportados ao país foram milho e soja, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic).
Por outro lado, nas importações, o Irã ocupa a 42ª posição, tendo fornecido aproximadamente US$ 11,9 milhões em produtos ligados ao agro, principalmente fertilizantes e adubos químicos. Esses insumos representam menos de 0,5% das compras brasileiras ao Irã no período, com Rússia, China e Canadá sendo os principais fornecedores mundiais de fertilizantes para o Brasil.
Importância do Irã na oferta de ureia e fertilizantes
Apesar de sua participação limitada nas importações totais, o Irã é um grande exportador mundial de ureia, componente fundamental dos fertilizantes utilizados no Brasil. Essa dependência de importação evidencia uma vulnerabilidade, uma vez que o país precisa garantir um fluxo contínuo de insumos para sua produção agrícola.
Dependência do Brasil de fertilizantes internacionais
Dados do Comexstat mostram que, em 2025, parte significativa das importações de produtos ligados ao setor agrícola proveniente do Irã dizia respeito a fertilizantes e adubos químicos, embora em volumes menores comparados a fornecedores como Rússia, China e Canadá.
Contexto político e consequências para o setor agrícola
Recentemente, a tensão entre Estados Unidos e Irã, alimentada pelos sinais de possíveis sanções e intervenções, pode complicar ainda mais o cenário de importações de insumos agrícolas. O presidente Donald Trump anunciou que irá impor sobretaxas a países que fizerem negócios com o Irã, o que pode impactar a cadeia de abastecimento brasileira, especialmente no que diz respeito a fertilizantes.
Nos últimos anos, o Brasil também enfrentou tarifações impostas pelos EUA que atingiram produtos do agronegócio, como carne e café, dificultando ainda mais o comércio internacional do setor. Essas medidas resultaram em queda nas exportações brasileiras para os Estados Unidos e aumentaram a preocupação com a vulnerabilidade do país na aquisição de insumos estratégicos.
Perspectivas para o setor e a produção de fertilizantes no Brasil
O fortalecimento da produção interna de fertilizantes e a diversificação de fornecedores tornam-se prioridades para reduzir a dependência de importações estratégicas. A produção local, como a de Sergipe, é vista como uma alternativa para maior autonomia do Brasil nesse aspecto.
Especialistas alertam que a dependência de importações, especialmente de fertilizantes de países como Irã, pode dificultar a competitividade do agro brasileiro frente às variações políticas e comerciais internacionais. Assim, investimentos em tecnologia e produção nacional são essenciais para garantir a sustentabilidade do setor agropecuário.

