Brasil, 13 de janeiro de 2026
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Greening: novo convênio de R$ 90 milhões para combater praga da citricultura

O greening, uma bactéria devastadora para as plantações de laranja, é o tema central de um novo investimento significativo na pesquisa e inovação no setor citrícola. Um convênio público-privado, que uniu universidades e órgãos do governo, foi formalizado para criar o Centro de Pesquisa Aplicada em Inovação e Sustentabilidade da Citricultura (CPA Citros). A iniciativa prevê a aplicação de R$ 90 milhões em pesquisas ao longo de cinco anos, visando melhorar a resistência das plantações e promover a educação sobre o manejo adequado.

O que é o greening?

Conhecido como a praga mais destrutiva da citricultura mundial, o greening é causado por uma bactéria que afeta as folhas e frutos das laranjeiras, promovendo sintomas como folhas amareladas e flores murchas. O problema se torna ainda mais grave considerando que a doença não possui cura, afetando substancialmente a produção e a qualidade dos frutos. Os dados de um recente levantamento realizado pelo Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) confirmaram que a região de Limeira, em São Paulo, é a mais atingida, com a incidência da doença crescendo de 73,87% para 79,38% em apenas um ano.

Compromissos e parcerias globais

Nesta segunda-feira (12), a assinatura do convênio aconteceu no campus da Escola de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) em Piracicaba. A cerimônia contou com a presença de representantes de diversas instituições, incluindo universidades de sete países: Brasil, Estados Unidos, Portugal, Espanha, França, Inglaterra e Austrália. O CPA Citros pode ser um divisor de águas para o setor citrícola, já que visa conectar 19 instituições e 76 departamentos científicos para implementar estratégias que combatam a incidência do greening.

Impacto econômico nas plantações de laranja

A situação da citricultura na região se reflete, também, nos preços do produto final. A história de desafio da família de Lucas Eduardo Boschiero, que mantém uma plantação que já está na terceira geração, ilustra a gravidade da situação. A infestação pelo greening afetou cerca de 80% de seus pomares, levando o produtor a buscar laranjas em outros estados como Bahia e Minas para atender à demanda industrial.

“Vender a laranja para a indústria nos custava R$ 0,80 o quilo. Agora, a mesma laranja vale R$ 2. Para o mercado de varejo, que demanda frutos maiores e melhores, o preço subiu de R$ 1 para R$ 3,” explica Boschiero, revelando como a pressão da praga sobre a produção se reflete diretamente nos preços ao consumidor.

A vida após o greening: o impacto nos negócios locais

O restaurante de Elias Staiguer é uma ótima exemplificação do efeito colateral do greening. Antes, o espaço funcionava em uma plantação de laranjas que teve que ser abandonada devido à praga. Hoje, ele compra frutas de outros produtores da região e enfrenta uma elevação significativa nos custos. “A laranja vem de mais longe, e o frete impacta ainda mais no valor que pagamos,” aponta Staiguer.

Esses desafios enfrentados por produtores e comerciantes mostram a complexidade do impacto do greening na economia local. Um ciclo de aumento de preços está se estabelecendo devido à baixa oferta, motivando um olhar mais aprofundado sobre como as inovações e pesquisas do CPA Citros podem ajudar a mitigar as perdas.

Próximos passos e esperança na pesquisa

Enquanto as instituições colaboram para desenvolver novas tecnologias e métodos de combate ao greening, a esperança é de que os resultados das pesquisas possam não apenas preservar, mas também revitalizar a citricultura brasileira. Com investimentos maciços e uma rede de colaboração entre diferentes países, o futuro pode ser mais promissor para os produtores de laranja no Brasil e a indústria de sucos.

Assim, a criação do CPA Citros representa um passo significativo na luta contra um dos maiores desafios da citricultura mundial, com o objetivo não apenas de preservar as plantações, mas também de possibilitar um futuro econômico viável e sustentável para esse setor essencial no Brasil.

Para mais informações, não perca as atualizações sobre o impacto do greening nas plantações e os desenvolvimentos desta pesquisa inovadora.

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