Após uma escalada de protestos contra o governo iraniano, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reacendeu a discussão sobre uma eventual intervenção militar no Irã, questionando o que uma ação dos EUA poderia envolver e quais seriam seus objetivos.
Opções militares e diplomáticas dos EUA
Embora o governo americano tenha mantido suas opções amplamente abertas, a prioridade declarada continua sendo o diálogo. Contudo, autoridades admitem que Trump foi informado sobre alternativas como operações cibernéticas e ataques direcionados.
Neste domingo, Trump afirmou à imprensa que “o militar está avaliando” opções “muito fortes” e que, em caso de retaliação iraniana, “vamos golpeá-los de forma sem precedentes”. Ele também declarou que os líderes iranianos “querem negociar”, mas que “poderíamos agir antes da reunião” prevista.
Cenário de tensões e restrições regionais
Apesar da retórica agressiva, o Pentágono ainda não enviou grupos de ataque ou porta-aviões para a região. Os aliados no Golfo mostram-se relutantes em apoiar ações militares contra o Irã, especialmente após ataques com mísseis no ano passado que quase envolveram Israel na guerra.
Jon Hoffman, especialista do Cato Institute, alerta que “a intervenção unilateral dos EUA no Oriente Médio sem um objetivo claro pode escalar a crise, sem necessariamente derrubar o regime iraniano”.
Protestos internos e o possível gatilho de intervenção
As manifestações atuais representam uma das maiores crises enfrentadas pelo regime iraniano em décadas. Estudantes e cidadãos têm exigido mudanças radicais, enquanto as forças de segurança reagem com violência, com relatos de milhares de mortos, embora poucos possam ser confirmados devido ao bloqueio de internet imposto pelo governo.
Enquanto isso, líderes iranianos insistiram que a situação está sob controle, com o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, culpando interferências estrangeiras pelos conflitos. Ele declarou que qualquer ataque será retaliado contra interesses americanos e israelenses, mas também revelou que canais de diálogo permanecem abertos.
Perspectivas de uma ação militar americana
Especialistas, como Mona Yacoubian, destacam que um possível envolvimento dos EUA dependeria de evidências irrefutáveis de uma repressão massiva que cause mortes entre os protestantes. Trump também sinalizou que mortes não justificariam uma intervenção, mas a falta de informações confiáveis torna essa avaliação difícil.
O futuro da crise depende de muitos fatores, incluindo a capacidade dos Estados Unidos de agir sem ampliar ainda mais a instabilidade na região.

