O Supremo Tribunal Federal (STF), sob a liderança do ministro Alexandre de Moraes, autorizou o general da reserva Mario Fernandes a exercer atividades voltadas para o Exército Brasileiro, mesmo estando preso e já condenado por sua participação em um plano golpista. Fernandes, que recebeu uma pena de 26 anos e seis meses, terá como funções a revisão de doutrinas e a produção de textos técnicos sobre história militar e estrutura da Força Armada.
Atividades do general Mario Fernandes no Exército
Mario Fernandes, atualmente detido em uma unidade militar em Brasília, estará alocado na Diretoria do Patrimônio Histórico e Cultural do Exército, além de colaborar com o Centro de Doutrina do Exército. As tarefas atribuídas incluem a “revisão de produtos doutrinários e literários” e a “produção de textos técnicos sobre história militar e doutrina militar terrestre”, conforme estabelecido pelo plano de trabalho do Comando Militar do Planalto.
A inspetoria do Exército e a necessidade de revisões na doutrina militar são questões que têm sido constantemente debatidas, especialmente diante de recentes eventos políticos no Brasil. A aprovação das atividades de Fernandes enquanto detento é um ponto controverso que gera repercussões tanto no meio militar quanto na sociedade civil.
Contexto da condenação de Mario Fernandes
O general foi condenado em setembro de 2024, em meio a um clima tenso e polarizado no Brasil, por ser um dos responsáveis pela elaboração do plano “Punhal Verde e Amarelo”. Este documento, de caráter extremista, previa o assassinato de importantes figuras políticas, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin, além de Alexandre de Moraes, o próprio magistrado que agora autoriza as atividades de Fernandes. O condenado admite ter criado o plano, embora afirme não tê-lo apresentado a ninguém.
As circunstâncias que cercam essa autorização para o trabalho do general no Exército levantam questões sobre a relação entre a ressocialização de detentos e a segurança pública. Moraes justificou a decisão ao afirmar que o trabalho deve ser estimulado como um meio de ressocialização, disciplina e preparação para o retorno ao convívio social dos detentos. Contudo, a medida é vista com ceticismo por muitos que o consideram contraproducente, dado o histórico de Fernandes e as implicações de seu envolvimento em ações antidemocráticas.
Importância do trabalho prisional na ressocialização
O sistema prisional brasileiro enfrenta desafios significativos, e a ideia de ressocialização através do trabalho é discutida como uma possível solução para melhorar a reintegração de detentos à sociedade. A proposta de que presos realizem atividades que possam contribuir para a formação e o desenvolvimento de habilidades técnicas é uma iniciativa do governo que, embora bem-intencionada, precisa ser acompanhada de um intenso debate sobre a segurança e a ética nas decisões relacionadas a representantes de atos golpistas.
As atividades atribuídas a Mario Fernandes, que consistem em revisão e produção de doutrinas militares, não apenas colocam em xeque a eficácia da ressocialização proposta, mas também provocam uma reflexão sobre o papel do Exército em um momento delicado da política nacional. Muitos têm questionado se é prudente permitir que um indivíduo com um passado tão comprometedor contribua para a formação de novas diretrizes militares, dadas as suas ações passadas.
Além disso, é importante garantir que o processo de trabalho não seja utilizado para legitimar ou promover ideais que possam ser considerados perigosos ou antidemocráticos. Com a aprovação do trabalho de um condenado por crimes severos, a sociedade brasileira se vê relutante em aceitar que a mesma estrutura que deveria proteger a democracia possa estar recebendo respaldo de alguém com um histórico tão problemático.
Controvérsias e reações da sociedade
A notícia sobre a autorização do STF para que Mario Fernandes trabalhe na área de doutrina militar gerou reações diversas nas redes sociais e nos meios de comunicação. Enquanto alguns defendem a decisão como um passo para a efetivação da ressocialização, outros vêem essa medida como um risco à integridade moral e ética das Forças Armadas brasileiras.
A possibilidade de um condenado por tentativa de assassinato de líderes políticos estar atuando em uma posição que possa influenciar a doutrina militar do país é uma questão sensível e deve ser monitorada de perto. O debate sobre o equilíbrio entre trabalho prisional, direitos dos detentos e segurança nacional permanece em aberto, exigindo um diálogo contínuo entre as autoridades e a sociedade civil.
Em suma, o caso de Mario Fernandes ilustra a complexidade das questões que cercam o sistema penal e a sua interação com as instituições de defesa do país. Resta-nos acompanhar os desdobramentos desta autorização e suas consequências para a democracia Brasil afora.


