Na semana passada, o CDC (Centers for Disease Control and Prevention) anunciou uma revisão do calendário de vacinas para crianças e adolescentes, o que gerou reações diversas entre profissionais de saúde católicos e especialistas em ética. A nova orientação reduz de 18 para 11 as vacinas recomendadas de forma universal, mudando a abordagem para algumas doenças, que passarão a ser recomendadas apenas para grupos de risco ou após decisão compartilhada entre médicos e famílias.
Detalhes da mudança no calendário de vacinas
Conforme divulgado em comunicado oficial do CDC em 5 de janeiro, as vacinas contra rotavirose, influenza, COVID-19, hepatite A, hepatite B, meningocócica e RSV agora passam a ser recomendadas com base na avaliação individual de risco. Mesmo as imunizações para sarampo, rubéola, difteria, entre outras, permanecem recomendadas de forma geral.
Segundo memorando do Departamento de Saúde dos EUA, a estratégia de decisão compartilhada leva em conta as preferências e características do paciente, além do julgamento clínico do profissional.
Reações entre especialistas católicos e éticos
O médico católico Dr. Tim Millea, presidente do comitê de políticas de saúde da Associação Médica Católica, elogiou a abordagem, reconhecendo a necessidade de maior transparência. “A confiança na vacina caiu bastante após a pandemia do COVID-19, e essa revisão traz um passo na direção de reforçar a ciência e o diálogo aberto”, afirmou.
Por outro lado, a pediatra católica Gwyneth Spaeder criticou a mudança, argumentando que a comparação com países menores e homogêneos como Dinamarca é inadequada para os EUA, que possuem uma vasta diversidade socioeconômica e desigualdades no acesso à saúde. “Revisões assim podem gerar mais confusão ao invés de fortalecer a confiança, além de ignorar que os grupos mais vulneráveis são aqueles que mais se beneficiam das imunizações”, disse.
O presidente do Centro de Bioética Católica, John Di Camillo, ressaltou que as recomendações devem respeitar a autonomia dos pais e a subsidiariedade, promovendo decisões mais próximas às comunidades. “A ciência deve estar sempre aberta a novas avaliações, e as famílias precisam de espaço para decidir com base em informações confiáveis”, afirmou.
Desafios éticos e sociais
Alguns especialistas alertam que o movimento pode aumentar a disseminação de desinformação e diminuir a adesão às vacinas, sobretudo entre comunidades que já desconfiavam das recomendações oficiais após a crise do COVID-19. Dr. Gwyneth Spaeder alertou que essa estratégia pode agravar as desigualdades existentes, prejudicando especialmente crianças de famílias com menor acesso à saúde e educação.
Segundo análises, a comparação com o cenário europeu, onde o sistema de saúde é mais homogêneo, não reflete a complexidade sociocultural dos Estados Unidos. “Na prática, as crianças mais em risco podem acabar sem a proteção necessária, o que é uma preocupação ética importante”, destacou.
Perspectivas futuras
As autoridades de saúde afirmaram que a nova orientação é apenas uma recomendação e que os estados terão autonomia para adaptar as medidas conforme suas realidades. O objetivo é promover uma maior adesão às vacinas e fortalecer a confiança na imunização, sempre com base na ciência e no respeito aos princípios éticos.
O debate continua intenso, com opiniões variadas sobre o impacto dessas mudanças na saúde pública e na confiança social, reforçando a importância de uma abordagem equilibrada e transparente na política de imunizações.














