Na nova Carta Pastoral destinada à Arquidiocese de Nampula, em Moçambique, o Arcebispo Dom Inácio Saúre, da Congregação dos Missionários de Cristo (IMC), lança um apelo contundente aos fiéis: a auto-sustentabilidade econômica deve ser um caminho para dignidade e uma missão comunitária. Inspirado na passagem evangélica “Dai-lhes vós mesmos de comer”, o prelado ressalta a importância da partilha e a responsabilidade na gestão dos recursos, principalmente em um contexto de desigualdade social.
A nova diretriz pastoral para 2025-2026
Com o lema bíblico “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Mt 14,16), Dom Inácio introduz um novo ano pastoral que poderá impactar significativamente a vida da comunidade. O arcebispo enfatiza que a escolha desse lema não é apenas uma formalidade, mas um convite à reflexão e ação em prol da comunidade que enfrenta desafios econômicos profundos.
“A Arquidiocese é potencialmente rica em recursos humanos e naturais, mas vive uma realidade de pobreza”, explica Dom Inácio. A auto-sustentabilidade, segundo o arcebispo, vai além de um simples gerenciamento financeiro; passa a ser uma missão que demanda investimento em recursos materiais eficazes, permitindo que a Igreja exerça sua função de forma mais digna e responsável.
Gestão econômica e compromisso comunitário
A Carta Pastoral se debruça sobre a questão econômica da Igreja, afirmando que a gestão financeira deve ser uma preocupação e não um tabu. Dom Inácio defende que o bem espiritual deve estar intrinsicamente ligado ao bem material, um aspecto que não deve ser ignorado. Ele insiste que as finanças devem ser geridas de forma transparente e organizada, em consonância com os esforços anteriores dispostos em planos pastorais.
O arcebispo indica que a partilha, conforme exemplificado na multiplicação dos pães por Jesus, é uma resposta essencial para as desigualdades sociais enfrentadas pela comunidade de Nampula. O desemprego, as dívidas e a limitação de acesso a serviços essenciais como saúde e educação são realidades que exigem a manifestação da Igreja como um símbolo de esperança e solidariedade.
Uma reflexão histórica da Igreja em Moçambique
Dom Inácio também aborda a trajetória da Igreja em Moçambique, desde a colonização até a independência. Ele analisa momentos de tensão e colaboração com o Estado, enfatizando a necessidade de um relacionamento cooperativo e saudável que evite dependências excessivas. Essa liberdade é fundamental para que a Igreja permaneça fiel ao seu papel evangelizador, conforme os princípios do Evangelho.
A carta conclama todos os setores da Arquidiocese – paróquias, comunidades, movimentos e indivíduos – a se unirem em um esforço conjunto, promovendo um compromisso real de “dar de comer” em suas ações diárias. A mensagem é clara: partilhar o que se possui, evitar o desperdício, cuidar do que é coletivo e construir um espaço mais solidário e responsável.
O futuro da Igreja em Nampula
Com essa nova orientação pastoral, Dom Inácio não apenas fornece diretrizes, mas inspira a comunidade a agir em conjunto e ser um reflexo da solidariedade e da dignidade que a missão da Igreja exige. O avanço rumo à auto-sustentabilidade será, sem dúvida, um desafio, mas também uma oportunidade de renovar a missão e fortalecer os laços entre os fiéis.
A escolha da auto-sustentabilidade como premissa central da Igreja em Nampula é uma evidência da vigilância que a Arquidiocese pretende exercer sobre suas obrigações sociais e econômicas. O convite à partilha e ao compromisso comunitário é um chamado à ação coletiva, essencial para enfrentar a pobreza e as desigualdades sociais que afetam a realidade local.
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