Brasil, 13 de janeiro de 2026
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O tempo de Deus como visão que muda tudo

O conceito de “Tempo de Deus” (Kairós), onde se encontra a presença divina no presente, destaca a importância de viver o agora com fé e confiança. Esta reflexão é especialmente pertinente no início de um novo ano, quando muitos buscam renovação espiritual e significado para suas vidas.

A visão do tempo segundo a fé

O recente artigo de Pe. Gerson Schmidt, publicado no Vatican News, convida os leitores a refletirem sobre “O tempo de Deus como visão que muda tudo”. Segundo ele, enquanto o tempo humano é medido por relógios e calendários (Chronos), o tempo divino representa a invocação da graça e da ação de Deus em nossa vida. Para Schmidt, viver no “Tempo de Deus” é um convite para a paciência, a fé e a confiança, já que a lógica divina muitas vezes transcende a nossa compreensão humana.

Pe. Lucas Matheus Mendes, sacerdote da Arquidiocese de Porto Alegre, acrescenta suas reflexões ao conceito, lembrando que o tempo não é apenas a passagem de dias e meses, mas um espaço onde Deus se revela e interage com a humanidade. Ele comenta que, ao falarmos de tempo, nos referimos ao local escolhido por Deus para nos encontrar. Desde a criação do mundo, conforme Gênesis 1,1, vemos que tudo se inicia com a revelação da presença divina na criação.

A abordagem de Santo Agostinho

Explorando mais a fundo essa temática, Pe. Lucas Mendes se inspira nas obras de Santo Agostinho, que provoca uma reflexão profunda sobre o tempo. Agostinho, em suas Confissões, levantou a questão: “O que é, pois, o tempo?”. A profunda sabedoria de Agostinho nos leva a entender que o tempo não é apenas algo que flui, mas uma experiência interna, uma dimensão que acontece dentro de nós diante de Deus.

Essa perspectiva traz à tona a ideia de que o “presente” é o único momento onde Deus realmente nos encontra. Através da memória, do que vivemos, e da expectativa de nosso futuro, podemos experimentar a presença divina em todos os aspectos de nossas vidas. Mendes reitera que essa visão espiritual do tempo transforma a nossa forma de perceber os acontecimentos, desde memórias significativas até a esperança por um futuro melhor.

O tempo como espaço de reflexão e esperança

De acordo com o sacerdote, a memória não deve ser um meramente exercício sentimental, mas um ato de fé que nos recorda a fidelidade de Deus em nossas vidas. O chamado a recordar o que Deus fez por nós é um convite a formarmos nossa identidade espiritual. A gratidão pela fidelidade divina é o que purifica o presente e abre as portas para um futuro de esperança.

Santo Agostinho menciona a memória como um vasto santuário, repleto de experiências e vivências que moldam quem somos. Para Mendes, isso se traduz no entendimento de que nossa história pessoal é também história de Deus, que nunca se esquece de nós e está sempre presente na trajetória humana.

A proposta de Pe. Lucas para este ano novo envolve olhar o tempo com olhos de fé, acolhendo a presença de Deus em cada situação que enfrentamos. A esperança é não apenas a expectativa de um futuro melhor, mas uma esperança ativa, que se baseia na fidelidade divina como força motriz que transforma vidas. Jeremias 29,11 reforça essa até os nossos próprios desejos e sonhos podem ser sustentos na certeza de que Deus tem planos de paz e prosperidade para nós.

Conclusão: Viver o hoje como um ato de fé

Portanto, o “hoje” se torna central em nossa experiência espiritual. É o momento decisivo, o tempo da decisão e da missão que cada um de nós deve abraçar. À medida que navegamos pelo novo ano, somos desafiados a confiar na presença de Deus e a ver o passado como um testemunho da Sua fidelidade, o presente como um tempo de ação e o futuro como uma promessa repleta de esperança.

Que neste ano possamos habitar o tempo de Deus em todas suas dimensões, trazendo à nossa vida uma atitude de gratidão, presença e expectativa. Que a sabedoria de Santo Agostinho e a liderança de São João Paulo II nos inspirem a dar passos ousados em fé e continuar a viver em uma esperança vibrante, alinhada aos desígnios divinos.

*Padre Gerson Schmidt, ordenado em 1993, é graduado em Jornalismo e Mestre em Comunicação pela FAMECOS/PUCRS.

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