O governo do Irã ameaçou retaliar os Estados Unidos caso presidente Donald Trump siga adiante com planos de intervenção militar, após a escalada de violência contra manifestantes neste fim de semana. A declaração foi feita pelo porta-voz do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, que afirmou que bases militares americanas na região podem ser alvos legítimos em caso de ataque.
Risco de conflito e provocação militar
Qalibaf declarou nesta segunda-feira que o Irã não irá se limitar a reagir apenas a ações específicas, afirmando que agirá com base em sinais objetivos de ameaça. A ameaça ocorreu após o jornal The New York Times divulgar que Trump estaria considerando um ataque ao Irã em resposta às mortes de protestantes, que chegam a mais de 200 de acordo com ativistas iranianos.
Segundo fontes próximas ao governo norte-americano, Trump ainda não tomou uma decisão final, mas está seriamente pensando em realizar uma ação militar, após ameaças anteriores de que o país “pagaria caro” caso líderes iranianos atirassem contra manifestantes. Em uma publicação na rede Truth Social, Trump também comentou: “O Irã está em busca de LIBERDADE, talvez como nunca antes. Os EUA estão prontos para ajudar!”
Protestos em todo o país geram tensão e mortes
As manifestações começaram há duas semanas no Grande Bazar de Teerã, motivadas pela inflação descontrolada e a crise econômica. Com o tempo, se expandiram para universidades e outras cidades, hostilizando o regime do aiatolá Ali Khamenei, que afirmou nesta sexta-feira que o governo não recuará diante das protestas.
De acordo com um médico de Teerã entrevistado pela TIME, pelo menos seis hospitais na capital registraram mais de 200 mortos entre os manifestantes, principalmente por disparos com munição real. A Human Rights Activists News Agency (HRA), com sede nos Estados Unidos, confirmou ainda ontem um total de 203 mortes, incluindo 162 civis e 41 forças de segurança.
Perspectivas de um conflito geopolítico
O clima de tensão aumenta enquanto o governo iraniano reafirma sua postura de resistência e promete não ceder às pressões internas e externas. Autoridades iranianas reforçaram que não recuarão na repressão às manifestações, e o risco de uma intervenção militar dos EUA permanece como uma possibilidade que preocupa a comunidade internacional.
Analistas avaliam que o impasse pode intensificar os confrontos e piorar ainda mais a crise humanitária no país, agravada pela repressão de protestos contra o regime, que reivindicam liberdade e melhorias econômicas.


