Os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do Brasil, referentes ao mês de dezembro, serão divulgados nesta sexta-feira (9/1), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No mercado financeiro, a expectativa é de uma nova alta; no entanto, no acumulado do ano, a previsão é de que o resultado fique abaixo do teto da meta de 3% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
O que é o IPCA?
O IPCA é um indicador econômico crucial, calculado pelo IBGE desde 1979, e é amplamente reconhecido como o termômetro oficial da inflação no Brasil. Este índice é utilizado pelo Banco Central (BC) para ajustar a taxa básica de juros, conhecida como Selic, que atualmente se encontra em 15% ao ano.
Este índice monitora a variação mensal dos preços de uma cesta de produtos e serviços, comparando esses valores com o mês anterior. As categorias abrangidas pelo IPCA incluem transporte, alimentação e bebidas, habitação, saúde e cuidados pessoais, despesas pessoais, educação, comunicação e vestuário, entre outros. Ao considerar dados de diversas cidades, o IPCA consegue refletir a realidade de aproximadamente 90% da população que reside em áreas urbanas do país.
Expectativas de inflação para dezembro
Os especialistas do mercado financeiro estão prevendo uma alta na inflação em dezembro. De acordo com estimativas do Banco Daycoval, o IPCA deve subir 0,35%, encerrando o ano com inflação acumulada em 4,3%, abaixo do teto da meta de 4,5%. Segundo a instituição, essa elevação se deve principalmente ao aumento nas passagens aéreas, um fenômeno sazonal típico desse período do ano.
Além das passagens aéreas, analistas do Daycoval indicam que os serviços intensivos em mão-de-obra, como os setores de comércio e serviços, também devem continuar pressionando os preços. Apesar dessa pressão, os serviços subjacentes tendem a apresentar um comportamento mais estável, beneficiados por categorias como serviços bancários, cinema e serviços automotivos.
Por sua vez, o economista do ASA, Leonardo Costa, aponta para uma aceleração um pouco menor, com alta prevista de 0,31%, com ênfase novamente no setor de serviços, que deve registrar um aumento mais acentuado, especialmente nas passagens aéreas durante a sazonalidade de fim de ano.
Reação do Banco Central à inflação
O Banco Central tem se mostrado decidido a manter sua meta de inflação em 3%, mesmo que isso implique em manter a taxa de juros elevada por um período prolongado. A taxa atual de 15% é considerada alta por muitos especialistas, mas o Comitê de Política Monetária (Copom) ainda não sinalizou quando pode ocorrer uma redução nas taxas de juros. Havia a expectativa de que uma redução pudesse ser anunciada na primeira reunião do ano, no final de janeiro. Contudo, até o momento, não há indicações concretas de que isso ocorrerá, e muitos analistas acreditam que qualquer flexibilização deve ocorrer apenas no primeiro semestre de 2026.
A inflação é um dos principais indicadores analisados pelos diretores do Banco Central ao decidirem sobre a política monetária do país. Se a instituição identificar que a inflação está excedendo o esperado, pode optar por manter os juros altos por mais tempo, a fim de conter a pressão inflacionária e estabilizar a economia.
Com a ansiedade crescente por parte do mercado financeiro para a divulgação dos dados do IPCA para dezembro, a expectativa é que os resultados tragam implicações importantes para as políticas econômicas do Brasil nos próximos meses.














