Com a eleição estadual de 2026 se aproximando, a disputa pela sucessão do atual governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), promete ser acirrada. O PT e o PL, principais adversários políticos, já começaram a traçar estratégias para polarizar ainda mais o cenário eleitoral, utilizando questões ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) como bandeira de seus candidatos.
A pré-candidatura de Edegar Pretto e as respostas do PL
O PT lançou a pré-candidatura de Edegar Pretto, filho de um dos fundadores do MST. A escolha vem acompanhada de um histórico que remete às lutas agrárias no estado, refletindo a posição do partido em defesa dos direitos dos trabalhadores rurais. Em contrapartida, o PL alinhou uma chapa liderada pelo deputado federal Luciano Zucco, que fez uso da presidência da CPI do MST em 2023 para disparar críticas ao movimento, estabelecendo uma linha de frente “anti-MST” para atrair o eleitorado que se opõe às invasões de terras.
Enquanto isso, Eduardo Leite está se preparando para uma possível candidatura ao Senado. Ele deve apoiar o vice-governador Gabriel Souza (MDB), que enfrenta o desafio de conquistar o apoio dos aliados, que incluem figuras de outros partidos, como o PDT e o PSDB. Essa movimentação indica uma busca por consolidar uma base sólida antes do apito inicial da corrida eleitoral.
A batalha na pesquisa de intenções de voto
Pesquisas recentes, como a da Quaest, evidenciam a competitividade da disputa. Nos levantamentos de agosto, Zucco estava empatado tecnicamente com a ex-deputada Juliana Brizola (PDT) na liderança das intenções de voto. Juliana, que já disputou a prefeitura de Porto Alegre com apoio de Eduardo Leite, tem sido sondada para uma possível aliança com o PT, mas as negociações encontram barreiras em divergências sobre quem ocuparia a cabeça de chapa.
Edegar, por sua vez, aparece com apenas 11% nas pesquisas, cerca de dez pontos atrás de seus adversários. No entanto, seu desempenho nas eleições anteriores, onde quase levou Eduardo Leite ao segundo turno, levanta expectativas sobre seu potencial na eleição de 2026.
Conab e o apoio do MST
Desde 2023, Edegar ocupa um cargo significativo como presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no governo Lula. Essa nomeação é interpretada como uma vitória para o MST, dado seu histórico familiar de envolvimento com o movimento. Apesar das resistências que sua vinculação ao MST pode gerar entre os eleitores, Edegar se esforça para apresentar resultados positivos e enfatiza que seu trabalho na Conab é pautado por um diálogo respeitoso com todos os setores.
“Tenho muito orgulho da minha origem, mas, na Conab, procurei sempre mostrar que sabemos sentar à mesa para dialogar”, afirmou Edegar, buscando desassociar sua imagem das críticas ao movimento.
As chapas para o Senado
O PT também acaba de definir sua chapa para o Senado, com o deputado federal Paulo Pimenta e a ex-deputada Manuela D’Ávila como pré-candidatos. Enquanto isso, o PL já anunciou os deputados Ubiratan Sanderson e Marcel Van Hattem como candidatos à chapa de Zucco, que tentará consolidar uma forte identidade “anti-MST” para fortalecer sua campanha.
A corrida eletrizante em 2026
Sanderson, um dos representantes do PL, acredita que a agenda anti-MST pode ser um trunfo considerável em uma eventual disputa contra o PT. “Há uma aversão popular às campanhas de invasão promovidas por movimentos como o MST”, destacou, reforçando que bandeiras favoráveis a direitos de propriedade devem impulsionar a candidatura da chapa do PL.
Enquanto isso, o atual governador é desafiado a unir sua base por meio da candidatura do vice, que até agora registra 5% nas intenções de voto. Gabriel Souza, que representa uma figura de confiança de Leite, está em uma corrida para atrair o eleitorado que tem mostrado preferência por Brizola, especialmente entre aqueles que consideram a gestão Leite positiva.
Entre as movimentações, a ex-prefeita de Pelotas, Paula Mascarenhas (PSDB), também surge como uma potencial concorrente ao governo, considerando mudar sua filiação para o PSD, seguindo o alinhamento de Eduardo Leite.
Com tantos movimentos em andamento, as eleições de 2026 se configuram em um cenário de rivalidades acirradas e propostas diametralmente opostas, moldando o futuro político do Rio Grande do Sul nos próximos anos. Os próximos meses prometem ser decisivos para a definição dos palanques e estratégias que orientarão a luta pela cadeira governamental no estado.















