O aumento de seleções participantes da Copa do Mundo de 2026, passando de 32 para 48, abre novas perspectivas para países com pouca expressão futebolística, como o Uzbequistão. Este país asiático, que será um dos anfitriões do torneio ao lado dos Estados Unidos e Canadá, se classificou pela primeira vez para um mundial de futebol, um feito que é parte da narrativa de transformação e crescimento social, político e cultural do país. Esta é a primeira parte da série “Histórias que a Copa vai contar”, do GLOBO.
A trajetória do Uzbequistão rumo ao mundial
Declarado independente em 1991, o Uzbequistão torna-se a terceira ex-república da União Soviética a disputar uma Copa do Mundo, juntando-se a Rússia e Ucrânia. Desde a ascensão de Shavkat Mirziyoyev à presidência em 2016, o país tem investido fortemente não apenas no futebol, mas em esportes em geral. Este esforço se alinha a um processo mais amplo de abertura democrática, após décadas sob um regime autoritário que foi marcado por violações de direitos humanos e repressão.
O jornalista Carlos Massari, do podcast “Copa além da Copa”, comenta: “É um país que tem feito um trabalho muito bom para trazer essa imagem através do esporte. Pode chamar isso de ‘sports washing’, talvez, mas ainda é um investimento interno, um processo de transformação do país.” Para ele, o Uzbequistão está se reinventando, mudando sua imagem e investindo em se tornar uma potência esportiva.
Investimentos e resultados no esporte
Além de seu ingresso no Mundial, o Uzbequistão tem se destacado em várias competições. O país sediará a Copa do Mundo de futsal em 2024 e obteve um resultado expressivo nos Jogos Olímpicos de Paris, terminando na 13ª posição no quadro de medalhas, com oito ouros, duas pratas e três bronzes. O sucesso esportivo foi impulsionado especialmente por conquistas em modalidades de combate como boxe, judô e taekwondo.
Esses avanços estão diretamente ligados à melhoria econômica observada sob a administração de Mirziyoyev. O Uzbequistão é rico em recursos naturais, como petróleo e gás, e sua economia tem se fortalecido a cada ano. Com essa base econômica, o presidente optou por direcionar recursos significativos para o esporte, uma decisão que reflete a tradição cultural do país em relação ao futebol e a necessidade de um projeto de identidade nacional mais positivo.
Reconhecimento e motivação
A classificação para a Copa do Mundo não passou despercebida. Em uma demonstração simbólica de apreço, o presidente Mirziyoyev homenageou a seleção nacional com prêmios, incluindo carros para cada jogador e medalhas comemorativas. Essa motivação é um reflexo do investimento crescente no futebol nacional.
Entre os jogadores que se destacam na seleção, está o zagueiro Abdukodir Khusanov, de apenas 21 anos, que foi contratado pelo Manchester City por 40 milhões de libras. O capitão da equipe, Shomurodov, joga pelo Istanbul Basaksehir e tem se mostrado um líder dentro e fora de campo.
Desempenho e desafios da seleção uzbeque
A equipe uzbeque tem mostrado um bom desempenho nas últimas partidas, mantendo uma invencibilidade notável que chegou a 21 jogos entre setembro de 2023 e novembro de 2024. A sequência inclui 14 vitórias e 7 empates, o que demonstra a evolução e o potencial da seleção sob a nova administração esportiva do país.
Atualmente, o Uzbequistão integra o Grupo K, ao lado de seleções renomadas como Portugal e Colômbia, além de o representante da Repescagem Intercontinental (que pode ser RD Congo, Jamaica ou Nova Caledônia). Sua vaga para a Copa foi assegurada com uma campanha impressiva de dez vitórias, cinco empates e apenas uma derrota nas Eliminatórias da Ásia, sendo que a classificação foi confirmada com um empate em 0 a 0 contra os Emirados Árabes Unidos.
O próximo Mundial representa não somente um momento esportivo importante, mas é também uma oportunidade para o Uzbequistão mostrar ao mundo a transformação que tem vivenciado e se firmar como um novo nome relevante no cenário internacional do futebol.


