No dia de Ano Novo, durante homilia na igreja de Newtownpark Avenue, o arcebispo Dermot Farrell fez um apelo aos políticos irlandeses para que liderem na promoção da paz, em meio a debates sobre a neutralidade do país e o posicionamento diante de conflitos internacionais.
Apelo por um diálogo pacífico e liderança eficaz
Ao celebrar a Missa pelo Dia Mundial da Paz, Farrell lembrou a importância do papel dos líderes políticos na busca por uma comunicação que favoreça o entendimento e a resolução de conflitos. “Leaders are important; indeed, good leadership is vital. However, we need to take to heart that good leaders bring people with them”, afirmou o arcebispo.
Ele destacou ainda a tradição de Irlanda em esforços de paz, citando o legado de John Hume, prêmio Nobel da Paz, cuja visão de liderança política como uma forma de mudança no discurso foi reforçada na homilia. “A Irlanda tem uma história de trabalho internacional pela paz, e neste momento, temos a oportunidade de fortalecer essa tradição em um cenário global em rápida transformação”, comentou Farrell.
Desafios atuais e a necessidade de uma nova fala sobre paz
Farrell ressaltou que, embora a Irlanda mantenha a sua neutralidade tradicional, é preciso articular de forma clara e consciente como essa postura se encaixa na defesa de um mundo mais pacífico. “Investir apenas em capacidade militar ou preservar a neutralidade não basta. Precisamos promover uma paz sustentável, que beneficie toda a sociedade”, afirmou o arcebispo.
O líder religioso também enfatizou a importância de uma comunicação que envolva solidariedade, reflexão e esperança, especialmente em tempos de tensões, como na guerra na Ucrânia e os conflitos em Gaza, que têm provocado reações diplomáticas na Irlanda.
Igreja e política: um papel de mediação e esperança
Apesar de sua posição de neutralidade, o governo irlandês tem se manifestado de forma firme em relação a conflitos internacionais, o que gerou críticas por parte de alguns setores. O primeiro-ministro Micheál Martin e o vice-presidente, Simon Harris, defenderam a postura do país, mesmo ao expressar opiniões sobre a situação em Ucrânia e Gaza.
Por outro lado, especialistas apontam que a Irlanda precisa fortalecer sua defesa e ampliar sua presença marítima para garantir sua soberania e segurança. Em artigo na Irish Times, Stephen Collins destacou que o país, historicamente, tem uma dependência do Reino Unido para proteção costeira e que suas forças armadas enfrentam limitações importantes.
O arcebispo Farrell concluiu sua mensagem reforçando que a paz nasce de gestos de compaixão, respeito e esperança. “Acredito que nossos governantes têm um papel indispensável na construção de um mundo mais justo, onde o diálogo e a compreensão prevaleçam diante de qualquer provocação”, finalizou.

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