No último Natal, uma grande movimentação ocorreu nas penitenciárias do Rio de Janeiro, onde aproximadamente 46 mil detentos foram beneficiados com a Visita Periódica ao Lar (VPL). Contudo, a alegria das festividades foi ofuscada por um incidente preocupante: 269 desses presos não retornaram para as unidades prisionais após o período de liberação que se encerrava na terça-feira (30). Este número representa cerca de 14% do total de detentos liberados, gerando alarmes sobre a segurança pública no estado.
Fugitivos e a gravidade da situação
Dentre os 269 fugitivos, cinco são considerados de alta periculosidade, o que agrava ainda mais o cenário já complexo da segurança no Rio de Janeiro. Do total, 150 pertenciam ao Comando Vermelho (CV), 39 estavam vinculados ao Terceiro Comando Puro (TCP) e 23 à facção Amigo dos Amigos (ADA). O restante, composto por 46 indivíduos, afirmou não ter ligação com facções criminosas.
Os nomes dos fugitivos de alta periculosidade incluem:
- Tiago Vinicius Vieira, conhecido como Dourado, membro do TCP;
- André Luiz de Almeida, chamado Nestor do Tuiuti, do CV;
- Márcio Aurélio Martinez Martelo, conhecido como Bolado, também do CV;
- Sérgio Luiz Rodrigues Ferreira, popularmente chamado de Salgueiro ou Problema, do CV;
- Fábio Lima, apelidado de Gordo, do CV, que possui diversos registros por tráfico de drogas, tráfico de armas e roubos.
As informações sobre esses fugitivos geram apreensão nas comunidades e nas autoridades, que precisam lidar com a possibilidade de um retorno dessas figuras ao crime.
Comparativo com outros grupos liberados
Importante ressaltar que, ao lado dos detentos comuns, entre os beneficiados pela saidinha estavam 21 policiais e 23 milicianos. Este grupo, ao contrário dos demais, retornou integralmente às unidades prisionais, sem registro de evasão. Isso levanta questões sobre o tratamento diferente que essas categorias podem receber dentro do sistema penitenciário.
A situação das penitenciárias do Rio de Janeiro já é crítica, com superlotação e um déficit que pode dobrar nos próximos anos, conforme indicação do Ministério Público. A pressão sobre o governo é crescente, pois há determinação judicial para a construção de novos presídios, mas muitos municípios apresentam resistências à instalação de novas unidades prisionais.
Repercussão nas comunidades e possíveis soluções
A evasão de detentos, especialmente durante períodos festivos, é um tema recorrente que gera debates acalorados na sociedade. Especialistas afirmam que a falta de controle interno nas penitenciárias, aliada à briga entre facções por território e influência, tem contribuído para a insegurança pública no estado.
Além disso, a necessidade de um plano eficaz de inclusão social e a oferta de atividades que contribuam para a ressocialização dos presos são considerados essenciais. A melhoria nas condições das penitenciárias e o investimento em programas de reabilitação são caminhos que podem ajudar a reduzir a reincidência criminal e, consequentemente, o número de fugas.
Enquanto o estado luta para conter a crise no sistema penal, a população continua a sofrer com os desdobramentos de uma segurança pública fragilizada. O desafio agora é encontrar soluções eficazes e duradouras para garantir a integridade da sociedade.
O episódio da saidinha de Natal de 2025 é um lembrete sombrio dos desafios que ainda precisam ser enfrentados, e a esperança é de que as lições aprendidas a partir deste evento sirvam de alicerce para uma reforma mais abrangente e eficaz no sistema penitenciário e na segurança pública do Rio de Janeiro.
Para mais informações sobre a situação dos presídios e a fuga dos detentos, você pode acompanhar atualizações em tempo real através do app do g1 ou no portal oficial de notícias.

