O ano de 2026 desponta como um marco na história da seleção brasileira de futebol, colocando em xeque paradigmas, clichês e pressuposições que acompanharam a equipe ao longo das últimas décadas. Depois de três longos anos de purgatório, os torcedores são convidados a se engajar em um debate existencial sobre tudo o que aprenderam sobre o futebol brasileiro. Acostumados com o orgulho de uma “pátria de chuteiras”, os fãs agora encaram um cenário de profundas reavaliações.
A ressaca da Copa do Mundo de 2022
A sensação de que a última Copa do Mundo foi “um dia desses” é compreensível, já que a edição no Catar ocorreu há apenas três anos. Contudo, esse intervalo foi marcado por um ciclo longo e doloroso para a seleção, que enfrentou uma das suas piores campanhas de eliminatórias. Com uma colocação decepcionante, na quinta posição, e recordes negativos de derrotas e gols sofridos, o time passou por um processo de instabilidade, com quatro treinadores diferentes que acumularam marcas historicamente negativas. Essa sequência de resultados catastróficos resultou em uma crise de confiança e identidade, afastando ainda mais o público das arquibancadas.
Transformações necessárias na seleção brasileira
Até o momento, a colocação na tabela de eliminatórias não era suficiente para garantir a vaga direta para a Copa. No entanto, neste ciclo, o aumento de seleções para 48 na próxima Copa agraciou a tradicional seleção pentacampeã, evitando que uma possível repescagem se tornasse uma realidade angustiante. Curiosamente, a seleção brasileira parece ter chegado ao fundo do poço após a humilhante derrota para a Argentina no início de 2023. Muitos acreditam que essa experiência traumática pode ter catalisado a urgência por mudanças profundas, incluindo a busca por um técnico à altura do desafio, capaz de não apenas remendar a equipe, mas também restaurar valores e princípios esquecidos.
A busca por um novo comandante
Com a falta de um treinador brasileiro à altura dos desafios internacionais, a CBF voltou suas atenções para o exterior, buscando um profissional respeitado para liderar a equipe. A escolha de Carlo Ancelotti, um dos técnicos mais vitoriosos da história do futebol, poderia ser um marco histórico, caso ele consiga levar o Brasil ao hexacampeonato. Porém, é importante notar que, neste momento, a seleção não conta com jogadores nascidos e formados no país na lista dos melhores do mundo, algo inédito nos últimos 20 anos.
O legado e os desafios do futebol brasileiro
A ausência de estrelas que tradicionalmente compuseram a identidade do futebol brasileiro é alarmante. As posições que sempre foram nossa marca registrada, como a de laterais criativos e centroavantes, parecem escassas no cenário atual. Se Ancelotti conseguir um milagre e conquistar o título em 2026, seu trabalho será lembrado como uma das maiores façanhas da história do esporte. No entanto, a realidade mostra que exigir o título como obrigação, como em tempos de maior glória, seria um grande delírio.
Precisamos de um norte
O que realmente preocupa é o futuro da seleção. Saia ou não com o hexa sob seu comando, a verdade é que o futebol brasileiro precisa de um norte. Ninguém melhor do que Ancelotti, com sua experiência e equilíbrio, para dirigir essa transição e buscar a reestruturação necessária para restaurar a unidade e a confiança em nosso esporte mais popular. A seleção brasileira não representa apenas o futebol; é um símbolo nacional que precisa de estabilidade e um novo direcionamento.
Em meio a um panorama de incertezas, 2026 será um ano crucial para redefinir o futuro da seleção e reintegrá-la ao caminho das grandes conquistas. Com a necessidade de revigorar a essência e identidade do futebol brasileiro, resta aos torcedores acreditar na capacidade de resiliência da sua equipe e na promissora liderança estratégica de Carlo Ancelotti.

