O governo russo está avaliando a possibilidade de construir uma estação espacial equipada com gravidade artificial, uma inovação que visa permitir que os astronautas se locomovam sem flutuar, como na Terra. A proposta foi divulgada nesta semana pela Energia, principal contratada do programa espacial tripulado do país, e prevê uma força de aproximadamente metade da gravidade terrestre.
Como funcionaria a gravidade artificial
De acordo com o Serviço Federal de Propriedade Intelectual da Federação Russa, a estação teria um módulo central giratório conectado a braços rotativos, gerando uma força capaz de impedir a flutuação dos ocupantes. “O sistema espacial com gravidade artificial inclui um módulo axial com partes estáticas e rotativas, conectadas por uma junção flexível hermeticamente selada, além de módulos habitáveis, equipamentos de rotação e fontes de energia”, detalha a patente.
Na prática, isso permitiria aos astronautas caminhar e realizar tarefas sem a necessidade de constante flutuação. Contudo, a construção desse sistema seria complexa, exigindo múltiplos lançamentos e montagem em órbita, com a estação sendo erguida de dentro para fora, com adição de novos módulos conforme a necessidade.
Contexto e objetivos do projeto russo
A iniciativa integra uma agenda espacial mais ampla da Rússia, que também prevê a construção de uma usina de energia na Lua na próxima década. Segundo o governo russo, a usina, cujo contrato foi firmado com a empresa Lavochkin Association, seria concluída até 2036 e apoiaria missões lunares e uma estação de pesquisa conjunta com a China.
A agência espacial russa afirmou que o projeto representa “um passo importante rumo à criação de uma estação lunar científica em funcionamento permanente e à transição de missões pontuais para um programa de exploração lunar de longo prazo”. Embora não explicitamente confirmou o uso de energia nuclear, a participação da Rosatom e do Instituto Kurchatov aumenta a possibilidade de essa fonte ser empregada.
Corrida mundial por energia no espaço
Nos Estados Unidos, a NASA revelou planos de instalar um reator nuclear na Lua até 2030, como parte da estratégia de estabelecer uma presença duradoura no satélite natural. “Estamos numa corrida para a Lua, numa corrida com a China. Para termos uma base na Lua, precisamos de energia”, afirmou o secretário de Transportes dos EUA, Sean Duffy.
Embora as normas internacionais proíbam armas nucleares no espaço, elas não vetam fontes de energia nuclear, o que torna as missões lunares uma questão estratégica devido a recursos como o hélio-3, estimado em cerca de um milhão de toneladas, utilizado potencialmente na geração de energia.
Estes movimentos indicam um fortalecimento da corrida espacial, com múltiplas nações buscando garantir sustentabilidade e presença de longo prazo na Lua e além. A Rússia, com sua estação com gravidade artificial, busca avançar na tecnologia de habitabilidade em ambientes de microgravidade, tornando as viagens espaciais mais seguras e eficientes.
Para mais detalhes, acesse o fonte original.


