Em 2025, os cristãos do Oriente Médio enfrentaram um ano marcado por avanços políticos e sociais, mas também por dificuldades profundas que ameaçam sua continuidade na região. De Egito a Iraq, a fé foi expressa com resiliência diante de um cenário de desafios constantes.
Egito: apoio oficial versus obstáculos societais
O governo egípcio manteve suas políticas de apoio aos cristãos, com a valorização de projetos como a Trilha da Sagrada Família e a legalização de 160 igrejas. Além disso, distribuiu uma “ajuda natalina” a trabalhadores informais. Contudo, episódios de violência, incluindo sequestros, vandalismo e discurso de ódio persistiram, evidenciando um descompasso entre a postura oficial e certas manifestações sociais.
As ações extremistas continuaram a representar uma ameaça, reforçando um estado de vulnerabilidade entre as comunidades cristãs, que enfrentam inclusive dificuldades em instituições acadêmicas que não consideram as datas religiosas nas avaliações.
Jordânia: estabilidade em prova
Jordânia mantém-se um dos poucos países da região considerados seguros para os cristãos, apoiados por medidas de incentivo à fé, como a criação de roteiros de peregrinação e a emissão de selos com santos jordanianos. O rei também promoveu encontros com lideranças religiosas, reforçando o papel do país como referência de estabilidade.
No entanto, a emigração continua a diminuir a presença cristã, atualmente estimada em aproximadamente 4% da população, uma redução acentuada desde 1956, quando representava quase 12%.
Líbano: esperança e crises persistentes
Apesar de o país ainda sentir os efeitos do conflito civil de meio século atrás, o Vaticano trouxe uma mensagem de esperança através de sua visita, destacando valores de paz e a importância do papel dos jovens. Ainda assim, o cenário econômico, social e político mantém os cristãos sob pressão, levando muitos a considerarem a emigração como única saída.
A destruição de regiões do sul após ataques israelenses e o agravamento da crise econômica atuam como obstáculos à reconstrução de uma identidade cristã forte e presente.
Síria: incertezas e resiliência
Após anos de guerra, a comunidade cristã síria vive um misto de insegurança e esperança. Ataques a igrejas, como o bombardeio à Igreja de São Elias no centro de Damasco, e vandalismos em cidades como Suwayda, evidenciam uma situação vulnerável, mesmo com medidas de segurança reforçadas pelo estado e diálogo com líderes religiosos.
Apesar das dificuldades, encontros institucionais e ações de segurança procuram garantir a estabilidade dos fiéis, apesar do clima de incerteza que ainda paira sobre a comunidade.
Terra Santa: celebração cautelosa e fuga em massa
Em 2025, fiéis retornaram à celebração do Natal na Palestina, após anos de conflito. Contudo, a reconstrução ainda é precária, especialmente em Gaza, onde a população luta por dignidade. Nos territórios ocupados, o aumento dos ataques por colonos contribui para a contínua saída de cristãos, que agora representam cerca de 1% da população local, com uma diminuição acentuada especialmente em Jerusalém e Betlehem.
Essa situação ameaça transformar a Terra Santa, uma vez considerada berço do cristianismo, em um espaço de memória em vez de vida continental.
Iraque: reconstrução e risco de retrocesso
O país experimentou uma contradição marcante em 2025: enquanto algumas igrejas foram reconstruídas, ataques continuaram, mergulhando a comunidade cristã em uma crise de emigração e perda de quase 90% de sua população desde o início do século.
A reabertura de igrejas históricas e a realização de missas em locais como o sítio arqueológico de Ur representam passos de esperança. Todavia, o debate político, incluindo disputas por representação e direitos, reforça a incerteza de um futuro seguro para os fiéis.
Esperança renovada
Algumas boas notícias também marcaram o ano, como a canonização do bispo mártir Ignatius Maloyan, símbolo do compromisso cristão na região. Além disso, a mensagem do Papa, ao final da Missa em Beirute, exortou à reconciliação, à rejeição da violência e à esperança de uma região mais pacífica.
Segundo a agência CNA, a data reforça a necessidade de atitudes de paz e diálogo, tendo em vista o futuro dos cristãos no Oriente Médio, uma comunidade que persiste apesar dos obstáculos.
Mais detalhes sobre o panorama cristão em 2025 podem ser consultados na reportagem completa do Catholic News Agency.


