Brasil, 4 de fevereiro de 2026
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Bolsonarismo se afasta do liberalismo e mercado rejeita Flávio

A aliança que garantiu a vitória de Jair Bolsonaro (PL) em 2018, unindo o conservadorismo político ao liberalismo econômico de Paulo Guedes, enfrenta turbulências. Desde o fim do governo em 2022, essa relação esfriou, e agora, com Flávio Bolsonaro se lançando como candidato à presidência, o mercado financeiro parece não querer embarcar nessa nova jornada.

O distanciamento do mercado financeiro

O bolsonarismo raiz, que já compartilhou ideais econômicos liberais, distanciou-se de conceitos como ajuste fiscal e privatizações. Neste novo cenário, influenciadores e políticos conservadores criticaram abertamente as privatizações, como a recente da Eletrobras, e migraram para visões econômicas mais nacionalistas, alinhando-se a figuras do espectro político que vão desde ex-ministros petistas até figuras da esquerda.

A situação se torna mais complexa com Flávio Bolsonaro no centro do debate. Desde o seu anúncio como pré-candidato à presidência, as reações nos mercados foram desfavoráveis. A Bolsa de Valores sofreu uma queda significativa, enquanto o dólar apresentou uma valorização, fatores que indicam a desconfiança do mercado em relação a Flávio e suas propostas econômicas.

Preferência pelo governador Tarcísio de Freitas

O nome que ainda ressoa positivamente nas mesas do mercado é o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). A expectativa era de que, se Bolsonaro não pudesse apoiar Flávio, os agentes financeiros buscariam respaldo em Tarcísio, um ex-ministro do governo Bolsonaro que promete lealdade. Entretanto, a resistência crescente em torno de Flávio tem elevado os ânimos entre seus aliados, que, em vez de fortalecerem suas posições, têm intensificado as críticas.

O vereador Carlos Bolsonaro chegou a se manifestar nas redes sociais, atacando a elite financeira, referindo-se à “Faria Luler” que, segundo ele, se apresenta como esclarecida, mas representa os maiores obstáculos ao desenvolvimento nacional. A mensagem ecoa a insatisfação de muitos bolsonaristas que veem a aproximação do liberalismo econômico como uma traição aos princípios originais de seu movimento.

Resistência e polêmica no seio do bolsonarismo

A resistência do mercado ao nome de Flávio não incentivou uma reconciliação, mas sim um aprofundamento das críticas internas. Analistas têm deixado claro que não veem Flávio como uma figura capaz de realizar reformas significativas ou de conquistar a confiança dos investidores. Com base em pesquisas recentes, apenas 8% dos eleitores demonstraram apoio à ideia de que Flávio fosse o candidato indicado por Bolsonaro para sucedê-lo, enquanto outros 22% apoiariam Michelle Bolsonaro e 20% Tarcísio de Freitas.

A desconfiança do mercado com Flávio

Além da diferença nas opiniões sobre capacidade de Flávio em tocar reformas, os analistas da Faria Lima não acreditam que ele será uma ameaça real a Lula nas eleições. A pesquisa do Datafolha revelou que a antipatia em torno de sua candidatura pode ser um indicativo dos problemas eleitorais que ele poderá enfrentar, refletindo a influência da presença de Lula no cenário político.

As mensagens de pessimismo econômico, a queda da Bolsa e a valorização do dólar estão alicerçadas pela perspectiva de um novo mandato de Lula. A repercussão negativa do nome de Flávio entre os influenciadores do mercado é palpável, com alguns já considerando a possibilidade de votos nulos ou até mesmo uma opção por Lula, caso o cenário se mantenha.

Considerações finais

À medida que a candidatura de Flávio Bolsonaro avança, a tendência é de um acirramento do embate entre o bolsonarismo e suas bases mais liberais, o mercado financeiro se mostra cada vez mais cético e a corrida pela presidência se torna um campo de batalha de ideias, onde a combinação de conservadorismo político com liberalismo econômico parece já não ter mais espaço.

O desafio agora será não apenas conquistar o eleitorado tradicional, mas também convencer um mercado que parece estar cada vez mais distante do que Flávio representa e onde os valores do liberalismo econômico foram deixados de lado em prol de uma retórica mais nacionalista.

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