Brasil, 3 de fevereiro de 2026
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Jair Renan visita pai e leva caça-palavras para Bolsonaro

Jair Renan visitou Bolsonaro na cadeia e trouxe um caça-palavras, despertando interesse sobre a relação do ex-presidente com a literatura.

Jair Renan, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, fez uma visita ao pai na prisão em Brasília e, tentando levantar o ânimo do capitão, levou alguns livros, entre eles um caça-palavras. Essa visita rapidamente chamou atenção da imprensa, que se interessou pelos títulos escolhidos. Ao ser questionado sobre o que havia levado, o vereador disse: “Trouxe um caça-palavras para ele”. A declaração levanta não só um tom de leveza na situação, mas também destaca a relação de Bolsonaro com a literatura e a cultura.

O desprezo pela leitura durante o governo Bolsonaro

Historicamente, Jair Bolsonaro não é conhecido por seu apreço à leitura. Seu governo foi frequentemente caracterizado por atitudes que desvalorizavam a cultura e a educação. Em uma ocasião, ele se manifestou sobre os livros didáticos, afirmando que eles eram “um montão, um amontoado de muita coisa escrita”, revelando seu desejo de um conteúdo educativo que fosse menos complexo. Essa postura se reflete em diversas ações ao longo de seu mandato, especialmente no que diz respeito ao financiamento de programas ligados à literatura.

No último ano de sua gestão, ao tentar garantir recursos para sua campanha de reeleição, Bolsonaro bloqueou quase R$ 800 milhões do Programa Nacional do Livro e do Material Didático. Essa decisão resultou na paralisação da compra de 70 milhões de livros destinados a alunos e professores do ensino fundamental, um impacto significativo no acesso à literatura no Brasil.

Religiosidade e política: um antagonismo com a cultura

O obscurantismo foi uma marca da relação do governo Bolsonaro com as artes. A recusa em assinar os papéis necessários para a concessão do Prêmio Camões ao celebrado autor Chico Buarque é um exemplo disso. Apesar de ter recebido o prêmio com um atraso de quatro anos, Buarque lembrava-se de forma bem-humorada de não ter seu diploma manchado pelo ex-presidente. Tal aversão era reflexo de uma ideologia que via a cultura como uma ameaça, e a literatura em particular como um campo de batalha no combate ao que considerava pensamento crítico e oposição.

A retórica anti-intelectual da extrema direita

A rejeição à leitura vai além do mero desprezo pessoal. Ela está alinhada a uma estratégia mais ampla da extrema direita, que frequentemente se utiliza do anti-intelectualismo como uma ferramenta eleitoral. Isso serve para marginalizar escritores, educadores e artistas que criticam as políticas e ações de governos autoritários. Nesse sentido, a aproximação com a cultura e a educação é vista como perigosa, e o afastamento delas é, por muitos, encarado como uma postura de “defesa” contra uma suposta elitização do conhecimento.

Literatura e remição de pena

Mesmo com a aversão à leitura, Jair Bolsonaro poderá utilizar os livros durante seu tempo na prisão como uma estratégia para reduzir sua pena. Isso ocorre por meio de um dispositivo legal que permite a remição de pena a detentos que leem. Entretanto, as diretrizes do Conselho Nacional de Justiça exigem a leitura de “obras literárias” e a entrega de resenhas escritas. Isso significa que, por ora, a solução mais simples — como um caça-palavras ou um jogo de palavras — não será suficiente para que o ex-presidente consiga benefícios neste cenário.

Essa situação gera um paradoxo interessante. O ex-presidente, que sempre teve uma postura crítica em relação à literatura e à cultura, agora depende dela para um alívio em sua condenação. A visita de Jair Renan, portanto, revela não apenas uma tentativa de reconfortar o pai, mas também um campo de tensões que envolve literatura, política e as complexidades do sistema judiciário brasileiro. O futuro ainda reserva desdobramentos interessantes sobre como a relação de Bolsonaro com a literatura poderá impactar sua vida na prisão e além.

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