A recente prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro elevou as tensões dentro do espectro político da direita no Brasil, especialmente em um momento crítico que antecede as eleições de 2026. Aliados do ex-presidente, que esperavam influenciar a disputa presidencial mesmo à distância, se deparam agora com um cenário de incertezas e conflitos internos, colocando em risco a unidade do grupo conservador.
A expectativa de um papel moderador
Antes de sua prisão, a estratégia dos líderes da direita era clara: Jair Bolsonaro seria o “regente oculto” das candidaturas, orientando as ações de seus aliados enquanto permanecia em prisão domiciliar. No entanto, os planos foram seriamente afetados pela prisão preventiva, que ocorreu em decorrência de uma tentativa de rompimento de sua tornozeleira eletrônica, um ato que surpreendeu seus apoiadores e pôs em xeque toda a articulação da direita.
Os aliados de Bolsonaro, cientes da possibilidade de prisão, apostavam na defesa de problemas de saúde para justificar a concessão de um regime domiciliar. O desfecho inesperado fez com que as expectativas de um retorno rápido do ex-presidente ao controle da política conservadora se esfumassem. Agora, ele pode enfrentar até sete anos em regime fechado, com acesso restrito a aliados e uma vigilância ainda mais intensa sobre suas atividades.
Consequências para a direita e novos candidatos
Com o ex-presidente preso, emergem novos protagonistas na corrida presidencial. Ao menos cinco nomes começam a ser cogitados como possíveis candidatos da direita nas eleições de 2026, incluindo governadores como Eduardo Leite (PSD-RS), Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Romeu Zema (Novo-MG). Este cenário levanta a possibilidade de que a falta de um líder claro, como Bolsonaro, resulte em uma fragmentação ainda maior nas candidaturas conservadoras.
Entre os filhos do ex-presidente, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) parece ser o que ganhou maior destaque após a prisão, especialmente depois de ter convocado uma vigília que se tornou um dos argumentos utilizados para justificar a decisão de Moraes. No entanto, a força do sobrenome Bolsonaro é ao mesmo tempo um trunfo e um fardo, já que muitos no Centrão temem associar suas candidaturas ao legado controverso de Jair Bolsonaro.
A batalha pela sucessão e os desafios do Centrão
Atualmente, as disputas internas entre os candidatos conservadores começam a se acirrar. Eduardo Bolsonaro, o filho mais ativo nas redes sociais, se manifesta como candidato em potencial na ausência do pai, o que acirrou a rivalidade com nomes como Tarcísio de Freitas. Este clima de rivalidade pode ser prejudicial para o movimento conservador, que precisa de unidade para sustentar uma candidatura competitiva.
Enquanto isso, a articulação com o Centrão continua a ser uma preocupação. Esse bloco político tradicional exige a inclusão de um candidato a vice que não carregue a mesma rejeição que o nome Bolsonaro, dificultando ainda mais a busca por um consenso em torno de uma chapa que represente verdadeiramente os interesses da direita em 2026.
O futuro da direita brasileira
O cenário atual para a direita brasileira é complexo e repleto de incertezas. Sem a liderança de Jair Bolsonaro, que mesmo em prisão domiciliar tinha a capacidade de mobilizar e unir seus aliados, a ala conservadora pode enfrentar sérios desafios para sustentar sua força. A divisão interna e a ausência de um líder claro podem redundar numa fragmentação em vez de uma união, levando a direita a um possível autoesbocete. Decisões cruciais precisam ser tomadas rapidamente, pois o relógio para as eleições de 2026 está correndo e o perigo de perder relevância no cenário político nacional se avizinha.
À medida que a articulação política da direita continua a evoluir, a presença ou ausência de Jair Bolsonaro na disputa será determinante. O futuro da direita pode muito bem depender da habilidade de seus líderes em navegar por este novo e complicado território, onde a união pode ser a chave para a sobrevivência política.













