No último domingo, os apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se reuniram em frente ao seu condomínio na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, para manifestar sua indignação após a prisão preventiva do político, ocorrida no dia anterior. Com faixas em apoio a Bolsonaro e críticas direcionadas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, assim como ao presidente Lula (PT) e ao vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), o grupo demonstrou sua insatisfação nas ruas da cidade.
O protesto e suas demandas
Os manifestantes, vestidos com as cores verde, amarelo e azul, acenavam bandeiras nacionais enquanto ocupavam a Avenida Lúcio Costa, nas imediações do condomínio “Vivendas da Barra”. As mensagens nos cartazes eram claras: pediam a liberdade do ex-presidente e reivindicavam o impeachment de Moraes. Uma das faixas dizia: “Fora Lula e Alckmin. Impeachment Alexandre de Moraes”. Outro cartaz conclamava motoristas a buzinar em apoio ao ex-presidente, clamando pela libertação de outros apoiadores que estão detidos, devido a acusações de envolvimento na tentativa de golpe de Estado que ocorreu em janeiro deste ano.
Ao longo da manhã, o número de participantes do protesto cresceu. Iniciando-se com cerca de 25 pessoas, o grupo partiu para aproximadamente 60 manifestantes até às 11h30. Os apoiadores da figura de Bolsonaro mostravam unidade e determinação, reafirmando seu apoio ao ex-presidente, que tem enfrentado diversas dificuldades jurídicas nos últimos meses.
Tensão em Brasília
Horas antes do protesto no Rio, em Brasília, uma vigília evangélica organizada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) buscava promover orações pela saúde e liberdade do ex-presidente. O evento atraiu aproximadamente cem pessoas, mas acabou sendo marcado por tumultos. Um homem, que se apresentou como pastor, usou o microfone para defender a prisão de Bolsonaro, provocando reações hostis entre os presentes.
Confusão e agressões
O evangélico, Ismael Lopes, de 34 anos, pediu a palavra e, durante sua fala, fazia críticas à gestão de Bolsonaro, especificamente sobre sua atuação na pandemia de Covid-19 que resultou em mais de 700 mil mortes no Brasil. Assim que o discurso teve início, ele foi agredido por apoiadores de Bolsonaro, que não aceitaram suas opiniões. A Polícia Militar interveio na situação, utilizando spray de pimenta para separar os envolvidos e escoltando Lopes para fora do local.
Após o incidente, Lopes relatou que sabia que poderia enfrentar agressões e que seu ato de ir até a vigília foi planejado. Ele, que não é pastor, se apresenta como um militante progressista nas redes sociais, e suas ações foram vistas por muitos como provocativas.
Repercussões e a polarização do debate
A tensão entre os grupos de apoio a Bolsonaro e os opositores é um reflexo do clima polarizado que permeia a política brasileira. O protesto no Rio, assim como o tumulto em Brasília, evidencia a divisão entre diferentes segmentos da sociedade, cada um com suas demandas e narrativas. As manifestações não são apenas apoio a um ex-presidente, mas sim a representação de um sentimento mais amplo, envolvendo questões políticas e sociais que têm mobilizado os eleitores desde as últimas eleições.
Após a confusão na vigília, o evento foi encerrado, reunindo políticos como Flávio Bolsonaro, Carlos Bolsonaro, e outros senadores e deputados aliados do ex-presidente. A situação continua gera debate acerca do futuro político de Bolsonaro e as repercussões de suas ações e da resposta das instituições ao cenário atual.
À medida que os protestos e os debates públicos ganham força, a expectativa é que continue uma intensa discussão sobre o ponto de equilíbrio na política brasileira e apenas o tempo dirá qual será o desdobramento deste momento tão tenso.















