Os Estados Unidos anunciaram a retirada da sobretaxa de 40% sobre diversas exportações agrícolas do Brasil, o que deve reforçar a competitividade brasileira no mercado norte-americano. Essa medida, que entrou em vigor recentemente, viabiliza o retorno de vendas para os EUA e alivia a pressão sobre os exportadores do setor, contribuindo para uma melhora na balança comercial brasileira. No entanto, economistas alertam para possíveis efeitos de alta de preços no mercado interno, especialmente em produtos como carne, que não devem mais sofrer a pressão da tarifa.
Impacto na balança comercial e na inflação
Segundo análise de especialistas, a retirada da sobretaxa tende a ampliar as exportações dos produtos agrícolas do Brasil para os EUA, ajudando a impulsionar a economia no cenário externo. No entanto, essa melhora pode gerar aumento de preços no mercado interno, principalmente em alimentos. André Braz, coordenador dos Índices de Preços do FGV Ibre, explica que a influência dessa redução tarifária no IPCA de 2025 ainda deve ser pequena, devido ao período de liquidação do calendário de festas e férias de fim de ano.
Apesar disso, itens como carne, que vinham em ciclo de queda, podem deixar de apresentar essa tendência, aponta Andréa Angelo, estrategista de inflação da Warren Investimentos. A expectativa é de que a inflação para o próximo ano, prevista em torno de 4,5%, se mantenha dentro da meta estabelecida pelo Banco Central, mesmo com possíveis reajustes nos preços.
Perspectivas para o mercado agrícola
Dados da Câmara de Comércio Americana indicam que cerca de 62,9% das exportações brasileiras para os EUA ainda enfrentam tarifas adicionais, embora a retirada da sobretaxa seja vista como um avanço na normalização do comércio bilateral. A estratégia do Brasil, de manter a forte presença nos mercados internacionais, é sustentada pelos resultados positivos das exportações de bovinos, que continuaram firmes mesmo durante a vigência das tarifas.
Pressão nos preços internos e negociações em andamento
André Braz reforça que a demanda por alimentos deve aumentar naturalmente até o fim do ano, devido às festas e às férias, o que poderá elevar os preços de diversos produtos. A expectativa, segundo ele, é de uma aceleração temporária na inflação de alimentos, sem relação direta com a eliminação das tarifas. Mais adiante, em 2026, análises apontam que a maior exportação pode contribuir para aumento de preços, mas também melhorar a balança comercial e a taxa de câmbio.
Já Andréa Angelo ressalta que a forte demanda internacional e a permanência de exportações robustas de bovinos ajudam a estabilizar os preços internos, reforçando que as projeções de inflação para 2025 e 2026 permanecem inalteradas em torno de 4,3% e 4,5%, respectivamente.
Reações e negociações futuras
Welber Barral, especialista em comércio internacional, destaca que a decisão foi positiva para os setores beneficiados, embora ainda haja negociações por parte dos Estados Unidos para ampliar o acordo, o que deve gerar novos debates nas próximas semanas. A opinião da Câmara Americana de Comércio também reitera que a medida representa um avanço importante na normalização do relacionamento comercial bilateral.
Por ora, o mercado observa com cautela possíveis ajustes nos preços, especialmente em segmentos com alta volatilidade ou oferta mais restrita. Segundo analistas, a capacidade produtiva brasileira é suficiente para atender tanto ao mercado doméstico quanto às exportações, minimizando riscos de desabastecimento. O acompanhamento das negociações será fundamental para entender os próximos passos dessa retomada de comércio entre Brasil e EUA.
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