O Supremo Tribunal Federal (STF) deve abrir, na quarta-feira (19), o prazo para que as defesas do ex-presidente Jair Bolsonaro e mais seis aliados apresentem novos recursos relacionados à sua condenação por tentativa de golpe de Estado. A decisão segue a publicação do acórdão do julgamento, que ocorreu nesta terça-feira. Com a rejeição dos embargos de declaração, as defesas têm um novo caminho a seguir para contestar a sentença.
Entenda o julgamento e o que vem a seguir
O acórdão, que é o documento que formaliza o resultado do julgamento, foi resultado de uma análise feita no plenário virtual do STF, encerrada na última sexta-feira. A Primeira Turma do tribunal rejeitou por unanimidade os embargos de declaração, que são utilizados para esclarecer dúvidas ou contradições nas decisões judiciais. Na segunda-feira, foi promulgado o resultado que confirma esse desfecho, e a publicação oficial ocorreu no Diário de Justiça Eletrônica (DJE).
Essa determinação do STF abre um novo capítulo no já conturbado cenário político brasileiro. Até o momento, os ex-ministros Walter Braga Netto, Anderson Torres, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira, assim como o ex-comandante da Marinha Almir Garnier Santos e o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), também tiveram seus recursos negados.
Bolsonaro, que foi condenado a 27 anos e três meses de prisão, agora enfrenta a expectativa de como as defesas abordarão os próximos passos. Os outros envolvidos na trama golpista receberam penas que variam entre 26 a 16 anos de prisão.
A importância do acórdão no processo legal
O acórdão é uma peça fundamental no processo legal, pois consolida as decisões do STF e orienta as partes sobre os detalhes da condenação. O processo teve trâmites rápidos, devido ao caráter virtual da sessão, onde apenas um voto foi necessário. O relator, ministro Alexandre de Moraes, alinhou-se com os demais ministros em sua conclusão, sem divergências significativas na posição adotada.
Dos oito condenados, apenas o tenente-coronel Mauro Cid não recorreu, recebendo a pena mais branda de dois anos de prisão em regime aberto. Cid já iniciou o cumprimento de sua pena, fruto de um acordo de delação premiada, o que contrasta com a gravidade das penas aplicadas aos outros réus.
Novos recursos e estratégias da defesa
A abertura do prazo para novos recursos, que começa na próxima quarta-feira, apresenta diferentes opções para as defesas. Uma possibilidade é a apresentação de novos embargos de declaração, com um prazo de cinco dias. Outra estratégia seria a interposição dos embargos infringentes, que têm um prazo de 15 dias. Entretanto, quando o primeiro acórdão foi publicado e os primeiros embargos foram protocolados, a contagem desse prazo foi interrompida, restando apenas 10 dias para essa opção.
O Código de Processo Civil não impõe um limite fixo para os embargos de declaração, porém, após dois recursos que forem considerados “meramente protelatórios”, novos pedidos podem ser rejeitados. No julgamento anterior, a Primeira Turma do STF ratificou que não havia elementos para modificar a decisão condenatória, mas as defesas ainda poderão tentar argumentar sobre questões que não foram adequadamente discutidas.
Desafios para os embargos infringentes
Os embargos infringentes são usados para contestar julgamentos que não são unânimes, mas o entendimento atual do STF é que esse recurso só deve prosperar em situações onde haja divergência entre os votos dos ministros. No caso de Bolsonaro e a maioria dos réus, apenas o voto do ministro Luiz Fux foi em favor da absolvição, o que torna essa estratégia de apelação nas cortes superiores bastante desafiadora.
À medida que a defesa de Bolsonaro e seus aliados buscam novos caminhos legais para a contestação, a atenção do público e da mídia permanece voltada para os desdobramentos desse caso que tem implicações diretas não apenas para os condenados, mas também para a própria democracia brasileira. O que se seguirá após a abertura do prazo para novos recursos pode moldar futuros cenários políticos e jurídicos no Brasil.
Com a data marcada e os prazos definidos, resta saber quais estratégias serão adotadas na tentativa de reverter as duras penas impostas aos envolvidos nesta trama que abalou o país nos últimos anos.














