Ray Dalio, um dos mais influentes investidores de Wall Street, afirmou que os Estados Unidos correm risco de uma crise de dívida nos próximos anos. Em entrevista por e-mail à coluna, o bilionário alertou sobre a possibilidade de um “ataque cardíaco” nas contas públicas, causado pelo crescimento insustentável da dívida federal.
Por que os EUA podem quebrar?
Dalio explica que o modo como os ciclos de endividamento funcionam aumenta os riscos de uma crise. Segundo ele, crises de dívida habitualmente se resolvem com calotes e emissão de moeda, o que já ocorreu na história com moedas de reserva como a libra esterlina e o florim. Com os EUA, o problema está no gasto elevado do governo, que chega a US$ 7 trilhões anuais, e uma receita de apenas US$ 5 trilhões, gerando uma dívida seis vezes maior que a arrecadação.
Previsões para o futuro da dívida americana
Dalio aponta que, sem ajustes nas despesas, impostos ou juros, os EUA podem enfrentar uma crise de dívida pública entre três e cinco anos. Ele defende que o ideal seria reduzir o déficit para cerca de 3% do PIB, atualmente estimado em 5,9%, o que poderia estabilizar a relação entre dívida e receita, considerando um crescimento econômico de cerca de 3% ao ano.
Impactos das políticas de Trump na dívida
O investimento destaca que a legislação aprovada durante o governo de Donald Trump, conhecida como Big Beautiful Bill, pode elevar a dívida de US$ 36 trilhões para US$ 55 trilhões. Ele afirma que essa trajetória aumenta a probabilidade de uma crise de dívida e moeda, que chamam de “ataque cardíaco”, onde os juros altos sufocam os gastos essenciais e obrigam o governo a imprimir mais dinheiro, o que pode levar à desvalorização da moeda.
Consequências do autoritarismo e desigualdade
Dalio observa que o aumento das desigualdades favorece o fortalecimento do populismo, que enfraquece as democracias. Ele afirma que essa fase, que chama de Grande Ciclo do Endividamento, assemelha-se ao período de 1928 a 1938, marcado por instabilidade e conflitos internacionais. Nos EUA, há sinais de polarização política e tentativas de controle sobre instituições como o Banco Central.
Perspectivas de soluções e obstáculos políticos
O bilionário acredita que tanto republicanos quanto democratas reconhecem a necessidade de equilibrar receitas e gastos para evitar uma crise, mas enfrentam dificuldades devido à polarização. Ele aposta que, após as eleições legislativas de 2026, poderá surgir algum consenso, mas, atualmente, a vontade política é limitada, o que dificulta ações concretas.
Críticas às previsões frequentes de crise
Dalio comenta que suas previsões de crises são frequentemente criticadas, mas destaca que políticos e líderes econômicos com quem conversou compreendem a gravidade da situação. Ainda assim, a vontade de implementar medidas necessárias permanece incerta diante do cenário polarizado.
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