O presidente Donald Trump assinou nesta sexta-feira uma ordem executiva que reduz tarifas sobre diversos alimentos, incluindo carne bovina, café, tomate, banana e outros produtos alimentícios, tentando diminuir os preços nas prateleiras dos supermercados dos EUA. A iniciativa ocorre em meio à pressão dos eleitores por preços mais baixos e busca ajustar a política tarifária do país.
Redução de tarifas seletiva e exclusões de produtos
A medida assinada por Trump não elimina totalmente as tarifas, que variam de 10% a 50%, mas exclui determinados produtos da lista de tarifas recíprocas. Segundo a Casa Branca, essas isenções se dão por causa da insuficiente produção doméstica e da alta demanda que não pode ser atendida internamente.
“Recebi informações de várias autoridades de que é necessário modificar ainda mais o escopo das tarifas recíprocas, especialmente para produtos agrícolas”, declarou Trump na ordem executiva. A medida visa aliviar o impacto sobre commodities que, por sua própria natureza, não são produzidas em quantidade suficiente nos Estados Unidos.
Impacto em commodities e comércio bilateral
Muitos alimentos, como cocos, nozes, abacates e abacaxis, terão tarifas reduzidas ou eliminadas a partir de 13 de novembro, sendo que os preços dessas commodities aumentaram recentemente devido às tarifas anteriores e às dificuldades de fornecer esses produtos internamente.
No caso do Brasil, maior fornecedor de café para os EUA, as tarifas permanecem em 50% desde agosto, o que elevou os preços em quase 20% em setembro, de acordo com dados do Índice de Preços ao Consumidor. Com a interrupção das compras brasileiras, o mercado futuro de café atinge recordes históricos.
As importações de grãos brasileiros para os EUA caíram mais de 50% entre agosto e outubro, reforçando a preocupação dos produtores domésticos, que têm uma produção insuficiente e temem preços mais altos que podem reduzir a demanda.
Consequências nas tarifas de outros produtos
Apesar do recuo em tarifas de alguns alimentos, a importação de tomates do México, outro importante fornecedor, continuará sujeita a uma tarifa de 17%, vigente desde julho. Após o fim de um acordo comercial de quase 30 anos, os preços dos tomates aumentaram logo após a implementação da tarifa.
Desde o início da administração Trump, muitos produtos que tiveram altas de preços por tarifas, como nozes e frutas tropicais, ganharam isenção tarifária recentemente. Essas commodities representam cerca de US$ 39,4 bilhões em importações anuais, aproximadamente 18% do total de compras agrícolas dos EUA.
Contexto político e econômico
A nova política tarifária ocorre enquanto Trump foca em iniciativas de acessibilidade para evitar o desgaste político, já que a percepção pública é de que as tarifas prejudicaram o custo de vida. Ele também busca equilibrar suas ações comerciais, negociando acordos e ajustando tarifas conforme as condições de mercado.
Segundo fontes da Casa Branca, a estratégia é aliviar o impacto das tarifas sobre produtos essenciais, enquanto o governo continua negociando acordos com países da América Latina, incluindo Argentina e Guatemala, para reduzir o custo de bens não produzidos localmente.
Reação do mercado e perspectiva futura
Especialistas veem a sinalização de Trump como uma tentativa de mitigar a alta de preços que já afeta os consumidores, especialmente nos setores agrícola e alimentar. Ainda assim, há cautela quanto ao impacto a longo prazo dessas medidas, que refletem uma tentativa de equilibrar interesses econômicos e políticos.
Analistas alertam que a continuidade da guerra tarifária pode ainda impactar o comércio bilateral e os preços de commodities, enquanto o governo busca estabilizar os preços internos e evitar uma crise de inflação.
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