A recente aceleração no recrutamento e treinamento de agentes da Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) gerou alarmes sobre possíveis consequências sérias devido à insuficiência na checagem de antecedentes. John Sandweg, que atuou como diretor interino do ICE entre 2013 e 2014, expressou suas preocupações em uma entrevista, destacando que as práticas de contratação atuais podem atrair indivíduos motivados por sentimentos anti-imigratórios, em vez de um verdadeiro espírito de serviço público.
A nova estratégia de recrutamento do ICE
Segundo Sandweg, a estratégia de recrutamento do Departamento de Segurança Interna (DHS) tem se tornado cada vez mais problemática. Ele mencionou que, em um esforço para aumentar o número de funcionários, o DHS recebeu mais de 200.000 inscrições e fez 18.000 ofertas de emprego provisórias. Para atrair mais candidatos, a agência também diminuiu a idade mínima para aplicar para 18 anos, removendo limites de idade e reduzindo o período de treinamento para novos agentes de quatro meses para apenas dois, eliminando ainda o treinamento em espanhol.
“Quando você combina essa mensagem com um processo de checagem de antecedentes extremamente limitado e apressado, a preocupação maior é que você está recrutando pessoas com uma agenda específica, que são simplesmente anti-migração,” comentou Sandweg. Ele acredita que atribuir grande autoridade a agentes mal treinados pode ter consequências desastrosas.
Riscos associados a agentes mal treinados
O ex-diretor interino do ICE alertou que promover indivíduos que não estão motivados pelos motivos corretos e que podem ter um ressentimento contra imigrantes é uma combinação perigosa. Ele afirmou: “Você dá a eles um poder incrível, e não fornece o treinamento adequado nem realiza uma verificação de antecedentes apropriada. Isso pode levar a resultados potencialmente catastróficos.” Essa afirmação reflete a preocupação crescente com a segurança pública e a integridade dos processos de imigração sob as novas diretrizes.
A nova abordagem do DHS para a aplicação da lei
Em uma entrevista anterior, Sandweg também destacou que as atuais operações de aplicação da lei marcam uma ruptura com práticas passadas. “Tudo isso é sem precedentes. Eu não acho que já vimos um esforço de aplicação da imigração em todo o país como este,” disse. Ele contrastou as operações abrangentes de hoje com ações mais direcionadas do passado, que focavam em indivíduos com históricos criminais, exigindo muito mais pesquisa e investigação antes das prisões.
Além disso, ele observou que as operações recentes têm coincidido com incidentes de uso excessivo da força e alegações de má conduta, sugerindo que essas ações refletem uma crescente pressão para maximizar o número de prisões. “Esta administração parece mais interessada na quantidade de pessoas presas do que na qualidade,” acrescentou. Ele frisou que a aplicação da lei está cada vez mais envolvendo indivíduos que já estão há muito tempo no país, muitos dos quais têm familiares cidadãos americanos.
A crescente controvérsia em torno das práticas de recrutamento e aplicação do ICE levanta questões sobre como os valores e princípios da imigração são implementados nos Estados Unidos. Com a crítica crescente de ex-oficiais e especialistas, é imperativo que o DHS reavalie suas práticas para garantir que a imigração seja tratada com justiça e respeito, preservando a segurança pública sem comprometer os direitos dos indivíduos.
Os próximos meses serão cruciais para observar como essas mudanças impactarão a aplicação da imigração e se a pressão para aumentar a quantidade de prisões ofuscará a necessidade de uma abordagem mais equilibrada e ética.
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